Comissão aprova PEC que cria fundos do Sul-Sudeste

Proposta eleva repasse feito pela União aos municípios; medida injetará cerca de R$ 10,7 bilhões nas contas das prefeituras em 2027

A Comissão Especial da Câmara aprovou, nesta 5ª feira (2.jul.2026), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 231 de 2019, que altera as regras de repartição de receitas federais e cria os fundos do Sul e do Sudeste. A votação foi simbólica.

O texto elaborado pelo relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) promove duas mudanças estruturais na maneira como o governo federal partilha os impostos arrecadados no país. A PEC original é de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC).

1ª mudança

A 1ª mudança trata de um dinheiro extra para os municípios por meio do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM. A proposta eleva em 1% o repasse que a União faz às prefeituras. 

Pela regra atualizada, esse cálculo vai incidir sobre a arrecadação do Imposto de Rense, do Imposto sobre Produtos Industrializados e também do Imposto Seletivo, um novo tributo criado pela Reforma Tributária

O relatório estabelece que esse recurso adicional deve ser entregue obrigatoriamente no primeiro decêndio, ou seja, nos primeiros 10 dias do mês de março de cada ano. O relator estima que essa medida injete cerca de R$ 10,7 bilhões nas contas municipais em 2027, subindo para R$ 11,2 bilhões em 2028. 

2ª mudança

A 2ª mudança é a criação dos Fundos Constitucionais do Sul e do Sudeste. O objetivo central dessa medida é buscar uma isonomia regional, ou seja, dar ao Sul e ao Sudeste o mesmo instrumento de desenvolvimento que o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste já têm por meio de seus fundos específicos, como o FNO, o FNE e o FCO.  

Para viabilizar isso, o texto propõe destinar 1% da arrecadação nacional do Imposto de Renda, do IPI e do Imposto Seletivo para programas de financiamento do setor produtivo da Região Sul, e mais 1% para a Região Sudeste. 

Na prática, esse dinheiro não irá diretamente para o caixa dos governos estaduais, mas será administrado por bancos regionais de desenvolvimento para ser emprestado com juros mais baixos.

O foco do financiamento será o setor produtivo, priorizando cooperativas, a agricultura familiar e pequenas indústrias localizadas em municípios de baixa renda per capita dessas duas regiões.


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