Chega de golpes! Governo cria sistema para chamar só números confiáveis

Você já recebeu uma ligação supostamente do banco e ficou em dúvida se era real ou golpe telefônico? Isso pode estar com os dias contados. O Governo Federal deu um passo importante para mudar a dinâmica das chamadas no Brasil, ao anunciar um sistema que autentica ligações e ajuda a proteger a população contra fraudes, utilizando tecnologia já presente nos celulares modernos.

A medida surge após anos de aumento nos golpes por telefone, cenário que preocupa sobretudo pessoas que dependem de serviços digitais e têm receio de perder dados ou dinheiro. O que está mudando, quanto será investido e, principalmente, como tudo isso vai impactar sua segurança nas próximas ligações? Veja abaixo.

Como vai funcionar a verificação de chamadas

Ao contrário do que ocorre atualmente, quando apenas o número do chamador aparece na tela — e pode ser falsificado por criminosos —, o novo sistema de chamadas verificadas envolve uma etapa a mais: a confirmação da identidade do emissor por meio de credenciais digitais.

Essa verificação inclui recursos de criptografia semelhantes aos usados em aplicativos bancários, criando uma camada tecnológica a mais contra o golpe telefônico. O processo começa pela criação da credencial, emitida por bancos, operadoras ou órgãos públicos habilitados.

Essas credenciais funcionam como um RG digital da ligação e ficam guardadas, com segurança, no próprio celular, dentro de uma carteira digital que não depende de armazenamento centralizado.

Sempre que o usuário receber — ou até mesmo fizer — uma chamada, essa credencial será cruzada em tempo real com a ligação. Se houver correspondência, o telefone dá um aviso visual ou sonoro de que a chamada é confiável.

Se o número parecer de confiança, mas não tiver essa credencial validada, o usuário será alertado de que a origem não é verificada. Assim, fica mais fácil desconfiar e evitar ser vítima de fraudes.

Descentralização e privacidade como diferenciais

Ao eliminar o armazenamento central e transferir as credenciais para o controle do próprio usuário, o sistema reduz riscos de grandes vazamentos, bastante comuns em bancos de dados compartilhados.

As provas de verificação vão utilizar algoritmos comprovados de criptografia, dispensando dependência dos recursos tradicionais das operadoras e elevando a barra de segurança em relação a chamadas internacionais ou feitas por redes antigas.

O modelo atual da Anatel, chamado Origem Verificada, oferece um selo para empresas, mas ainda tem alcance limitado e só atenderá toda a população a partir de 2028. O novo sistema surge com o objetivo de cobrir não só empresas, mas bancos, órgãos públicos e qualquer instituição que lide com dados sensíveis dos brasileiros.

Qual é o caminho para ter a credencial no seu celular

Para obter a credencial digital verificável, o usuário precisará se autenticar digitalmente junto a instituições já habilitadas, como bancos ou operadoras. Isso acontece pelos aplicativos oficiais, onde já existe cadastro e histórico do usuário. O processo, além de conferência de dados, pode incluir etapas extras como biometria ou códigos por SMS.

Depois da validação, a credencial fica armazenada localmente no celular. Se houver troca de aparelho ou perda, é possível revogar a antiga e ativar uma nova, mantendo o padrão de privacidade e segurança pensado para diferentes perfis de usuário.

Que tipo de golpe telefônico o sistema ajuda a prevenir?

Mãos segurando smartphone preto com ícone de telefone e triângulo de alerta vermelho na tela
Conheça os tipos de golpes telefônicos que o novo sistema do governo pode prevenir.
Imagem: Freepik

Com a nova tecnologia, não é só o “spoofing” que entra na mira — golpe em que o criminoso falsifica o número exibido para se passar por bancos ou empresas. Outras fraudes também devem ficar mais difíceis, como aquelas em que:

  • Falso atendente de banco: O criminoso tenta convencer a vítima de que houve compra suspeita para roubar informações ou fazer transferências indevidas.
  • Alerta de problema na conta: O estelionatário apela para o desespero, dizendo que a conta foi bloqueada ou invadida e pedindo respostas rápidas, acessos ou informações sigilosas.
  • Cobranças inventadas: Golpes mais comuns em ligações que cobram por supostas dívidas ou serviços que não existem, forçando pagamentos imediatos.
  • Spam e abordagens em massa: Empresas e golpistas ligam indiscriminadamente na tentativa de identificar vítimas potenciais ou simplesmente incomodar.

A proteção oferecida pelo sistema, porém, dependerá da adesão de instituições emissoras no ritmo proposto pelo governo — a obrigatoriedade completa está prevista para 2028.

Quando chega, quanto custa e quem pode usar

O projeto está previsto para implementação gradativa, com desenvolvimento coordenado pelo CPQD e recursos do Funttel, órgão vinculado ao Ministério das Comunicações. O investimento programado chega a R$ 16,82 milhões ao longo dos próximos três anos, incluindo testes técnicos e parcerias com operadoras para integração ao sistema nacional de telefonia.

Qualquer cidadão que tenha vínculo com bancos, operadoras ou órgãos públicos participantes poderá solicitar a credencial gratuitamente, diretamente nos aplicativos dessas instituições. Caso surjam problemas (perda do aparelho, suspeita de fraude etc.), será possível revogar a credencial e criar uma nova, ampliando a camada de proteção e reduzindo brechas de segurança em situações cotidianas.

Limitações, desafios e próximos passos

Apesar de a proposta ser estruturada para barrar o golpe telefônico, o sucesso depende da adesão em larga escala de empresas e organizações. Até 2028, o alcance tende a crescer conforme bancos e operadoras digitalizam seus processos e integram a ferramenta à rotina dos usuários. Não se trata de eliminar todas as tentativas de fraude, mas de tornar cada ligação suspeita mais evidente, com alerta claro na tela do celular.

Quem busca alternativas imediatas enquanto a solução não chega para todos pode utilizar bloqueadores de chamadas e alertas de spam já oferecidos por alguns aplicativos de telefonia e pela própria Anatel.

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