Censo da população em situação de rua será feito em 5 capitais

O governo federal lançou na 3ª feira (23.jun.2026), em Brasília, as ações preparatórias para o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O lançamento foi realizado no Palácio da Justiça, sede do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), e reuniu ações voltadas à garantia de direitos da população em situação de rua, ampliação do acesso a serviços públicos e proteção social.

O levantamento estatístico inédito, já anunciado em abril deste ano, vai mapear de forma padronizada, em todo o país, o perfil demográfico e socioeconômico dessa população, com o objetivo de fornecer dados oficiais para subsidiar políticas públicas.

De acordo com o governo, a etapa inicial do censo será realizada em 5 capitais, cobrindo um município por região: Belo Horizonte, Goiânia, Florianópolis, Manaus e Salvador.

Em vídeo divulgado durante a cerimônia, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, destacou que a iniciativa altera a metodologia adotada pelo instituto desde o primeiro censo do país, em 1872, que sempre contabilizou a população com base em domicílios fixos.

Pochmann destacou a importância de incluir essa parcela da população nos índices oficiais para a formulação de políticas públicas. “A partir de agora, nós teremos a informação que inclui os brasileiros que não têm um domicílio fixo”, afirmou.

Ele afirmou ainda que o IBGE terá condições de estabelecer uma referência metodológica inédita, capaz de revelar uma realidade ainda pouco conhecida no país.

Previsto para ocorrer entre 3 e 7 de julho de 2028, o Censo Nacional da População em Situação de Rua terá os primeiros resultados divulgados em dezembro do mesmo ano.

Visibilidade estatística

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a iniciativa permitirá estruturar políticas públicas mais eficientes e baseadas na realidade.

“O censo nos dá os dados seguros para que a gente possa ter uma política pública que chegue em quem ela precisa chegar. O censo do IBGE vai permitir, de uma vez por todas, tirar a população de rua da invisibilidade estatística”, disse.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, afirmou que o estudo poderá servir de referência internacional para países que enfrentam o mesmo desafio.

“O crescimento da população de rua está presente hoje em vários outros países, que não sabem como contar a sua população em situação de rua. A gente tem metodologia, mas precisamos aprimorá-la e avançar nesse debate”, afirmou.

Erros metodológicos

A confirmação do primeiro censo foi celebrada pelo padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, como uma “luta histórica”.

Ele afirmou que levantamentos municipais são, muitas vezes, imprecisos e podem distorcer a realidade da população em situação de rua.

Segundo o religioso, contagens locais frequentemente se baseiam em observação visual e não consideram a complexidade dos grupos familiares nas ruas.

Para ele, a atuação do IBGE deve corrigir distorções e ampliar a precisão das estatísticas.

Censo como conquista

O presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para Inclusão Social da População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), Anderson Miranda, afirmou que a realização do censo representa uma conquista histórica.

Ele disse que a iniciativa supera a percepção de que não seria possível realizar a contagem dessa população em âmbito nacional.

“Contava-se cachorro, gado, mas não a população em situação de rua. Para nós, é importante incluir essa população nos dados censitários”, afirmou.


Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil em 23 de junho de 2026, às 17h28. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.


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