Justiça italiana anulou decisão de extradição ao Brasil e determinou a soltura da ex-deputada do PL-SP
A ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) deixou a prisão na Itália nesta 6ª feira (22.mai.2026), depois que a Corte de Cassação italiana anulou a decisão que autorizava a extradição dela ao Brasil. Em vídeo publicado pelo advogado Pieremilio Sammarco, Zambelli comemorou a decisão e afirmou que pretende seguir uma “vida de missão”.
Zambelli estava presa em Roma desde julho de 2025. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em 2 processos: um relacionado à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça e outro ao episódio em que perseguiu armada um homem em São Paulo na véspera do 2º turno das eleições de 2022.
Zambelli afirmou que a decisão representa uma “vitória de Deus” e agradeceu à equipe de defesa. A ex-deputada disse que o advogado “conseguiu fazer o impossível” ao reverter a autorização de extradição.
“Esse é o 1º vídeo que eu faço em liberdade. Essa vitória foi de Deus. A gente consagrou nossa vitória a Ele. Deus deu força para os nossos advogados, e agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão”, disse Carla Zambelli.
Assista ao vídeo:
Os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) comemoraram nos comentário da postagem.
A decisão de anular a extradição de Zambelli foi tomada pela última instância da Justiça italiana em recurso apresentado pela defesa da ex-deputada. O julgamento foi realizado em audiência fechada, com participação de 6 juízes.
Mesmo depois da decisão judicial, a palavra final sobre eventual extradição cabe ao governo italiano. O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, é quem decide se autoriza ou não o envio da ex-deputada ao Brasil.
Zambelli nega as acusações e diz ser alvo de perseguição política.
ENTENDA O CASO
O caso que levou ao pedido de extradição começou em janeiro de 2023, quando o sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foi invadido. Segundo a acusação, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu documentos falsos no sistema, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O Supremo condenou Zambelli por envolvimento na invasão em 14.mai.2025.
A ex-deputada também responde a outro caso no STF, ligado ao episódio de de outubro de 2022, véspera do 2º turno das eleições, quando sacou uma arma e perseguiu um homem nas ruas de São Paulo. No dia 22 de agosto de 2025, o Supremo a condenou por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
Depois da condenação no caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil. Ela tem cidadania italiana e foi presa em Roma, no dia 29 de julho, por ordem das autoridades italianas, no contexto do pedido de extradição feito pelo Brasil.
No dia 26 de março de 2026, a Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição no caso da invasão ao sistema do CNJ. A defesa recorreu à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, que julgou o recurso nesta 6ª feira.



