Bancos não querem “fazer o L” em 2026, diz Daniella Marques

Coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro citou endividamento das famílias e defendeu transformação do Estado

Daniella Marques (Republicanos), coordenadora do núcleo de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou que “dessa vez, nem os bancos querem fazer o L“, referência ao gesto de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi feita durante participação em conferência do banco Santander, em São Paulo (SP). Para Daniella, há risco de colapso do crédito no país caso não haja mudança de modelo econômico ainda neste ciclo eleitoral.

Se a gente não tiver uma inflexão da curva, o ano que vem as famílias estão arrastadas. Vai ser dramático. Por isso eu tenho defendido na Faria Lima [referência ao mercado financeiro], na população. Você fala: ‘Dessa vez nem os bancos querem fazer o L, porque sabe que tem 100% de chance de dar errado’“, declarou.

Daniella, que já foi presidente da Caixa Econômica Federal, disse que é preciso mexer na trajetória de dívida PIB e na revisão do arcabouço, conjunto de regras que rege as despesas públicas, “criando algo sólido e perene, porque não dá para cada ano você mudar de regra fiscal“.

Flávio Bolsonaro já afirmou repetidas vezes que gostaria de Daniella como sua vice na chapa ao Planalto. O Republicanos, porém, decidiu por se manter neutro nas eleições, o que inviabilizou a candidatura da economista. Ele optou, no fim, pelo deputado Alfredo Gaspar (PL), depois de diversas sinalizações ao eleitorado feminino.

Sob a coordenação de Daniella, a área econômica do plano de governo de Flávio dá ênfase ao “enxugamento” da máquina pública. Eis os principais pontos em temas como economia e gestão:

  • reforma tributária – rever a implementação do novo sistema para reduzir o IVA e a carga sobre produção e consumo;
  • gastos públicos – reformular as regras fiscais com objetivo de estabilizar e depois reduzir a relação dívida/PIB;
  • ministérios – cortar ao menos 10, além de reduzir cargos comissionados e despesas administrativas; 
  • reforma administrativa – dar continuidade à revisão das carreiras e do funcionamento do Estado; 
  • conta de luz – reduzir gradualmente a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e encargos, mantendo a tarifa social; 
  • bets – proibir o uso de recursos de programas sociais em apostas on-line e promover campanhas contra o endividamento com jogos.

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