Encargos setoriais e custos operacionais puxam aumento; reajuste supera inflação
A tarifa média de energia elétrica no Brasil deve subir 8,6% em 2026. A estimativa consta da 2ª edição do boletim InfoTarifas, divulgado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nesta 6ª feira (12.jun.2026). Eis a íntegra do boletim (PDF – 2.047 kB).
O percentual supera a inflação projetada para o ano. As estimativas do mercado indicam alta de 4,9% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e de 5,8% para o IGP-M (Índice Geral de Preços–Mercado).
Sem a incidência de impostos, a tarifa cobrada especificamente dos consumidores residenciais, conhecida no setor como B1, deve chegar a R$ 851 por megawatt-hora (MWh) consumido. Sobre esse valor, incidem as alíquotas médias de ICMS (17,3%) e PIS/Cofins (5,2%).
Considerando o custo médio nacional, que engloba o consumo de residências, indústrias e comércios, a divisão das despesas sem impostos por MWh é a seguinte:
- Energia (39%): R$ 354. Corresponde ao custo da geração de energia elétrica nas usinas;
- Distribuição (32%): R$ 292. Financia o serviço das empresas que levam a energia até os consumidores;
- Encargos setoriais (20%): R$ 175. Correspondem aos fundos obrigatórios que financiam subsídios e políticas públicas do setor elétrico;
- Transmissão (9%): R$ 80. Remuneram as linhas e torres de alta tensão que transportam a energia das usinas às distribuidoras.
MOTIVOS DA ALTA
O aumento da conta de luz é impulsionado principalmente pelos encargos e custos financeiros do setor. Só a CDE Uso (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo utilizado para financiar descontos tarifários e programas sociais, terá impacto de 3 pontos percentuais no reajuste médio nacional.
Outro fator relevante é a infraestrutura das distribuidoras. A Aneel projeta 15 processos de revisão tarifária em 2026. Nessas revisões, a agência reavalia os investimentos realizados pelas empresas, conhecidos como BRR (Base de Remuneração Regulatória).
Como essas bases registraram aumento médio de 100% no período, o efeito sobre a tarifa nacional foi estimado em 0,3 ponto percentual.
De acordo com o “subsidiômetro” da agência, o custo total dos subsídios repassados às contas de luz alcançou R$ 55 bilhões no acumulado de junho de 2025 a maio de 2026.
DESCONTOS REGIONAIS
Na contramão da alta nacional, consumidores atendidos por 22 distribuidoras nas áreas da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que abrangem o Norte, o Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo, terão redução de até 5,8% nas faturas.
O desconto decorre da antecipação do pagamento do UBP (Uso de Bem Público) por 24 geradoras. Trata-se de uma compensação financeira paga à União pela exploração de recursos naturais na geração de energia.
Os recursos serão repassados às distribuidoras para reduzir o impacto da conta de luz aos consumidores dessas regiões ao longo de 2026.
BÔNUS DE ITAIPU
A Aneel também avalia alterar a data do repasse do Bônus de Itaipu, crédito concedido aos consumidores quando há sobra financeira na comercialização de energia da usina.
A proposta é que o desconto passe a ser aplicado nas faturas de agosto, e não mais nas de julho. A mudança ainda depende de aprovação da diretoria da agência.
O benefício é destinado a consumidores residenciais e rurais do SIN (Sistema Interligado Nacional) com consumo inferior a 350 kWh por mês.
TARIFA FIXA NA BAIXA TENSÃO
O boletim também detalha a proposta de criação de uma tarifa fixa para consumidores de baixa tensão, grupo que inclui residências e pequenos comércios.
Atualmente, existe a chamada “franquia mínima”, pela qual o cliente paga obrigatoriamente por um consumo entre 30 kWh e 100 kWh, a depender do tipo de medidor, mesmo sem utilizar essa quantidade de energia.
A Consulta Pública nº 16/2026 da Aneel propõe substituir essa cobrança por um encargo mensal fixo. O objetivo é que o valor cubra exclusivamente despesas operacionais das distribuidoras, como leitura de medidores e faturamento.
Se aprovada, a regra entrará em vigor em 2028. Os valores propostos são:
- Monofásico: R$ 4,82;
- Bifásico: R$ 6,31;
- Trifásico: R$ 9,37.



