Imunizante teve aplicação interrompida preventivamente após o registro de 42 casos com sinais de alerta; pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem monitorar sintomas
O Ministério da Saúde determinou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o sistema de farmacovigilância do Governo identificar eventos adversos graves e inesperados em pessoas recém-imunizadas, incluindo duas mortes suspeitas, que agora estão sob investigação.
A Butantan-DV, que fez história como a primeira vacina de dose única e tecnologia 100% brasileira contra os quatro sorotipos do vírus, começou a ser aplicada no início deste ano com foco inicial nos profissionais de saúde. Segundo informações do G1, até o momento da interrupção, cerca de 500 mil doses haviam sido administradas.
Veja as fotos

Mosquito da dengueCrédito: Reprodução bvsms.saude.gov.br

Anvisa aprovou dose única de vacina contra dengue desenvolvida pelo ButantanCrédito: Divulgação Butantan

Mosquito da dengueCrédito: Raquel Portugal e Rodrigo Méxas – Fiocruz Imagens
Em coletiva de imprensa realizada ao lado de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Butantan, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalhou que foram registradas 3.703 notificações de sintomas similares aos da própria dengue (o que representa 0,7% do público vacinado).
O sinal de alerta máximo que motivou a suspensão veio de uma parcela ainda menor: 42 casos que evoluíram com sinais de gravidade (0,008%). Entre esses pacientes, três desenvolveram quadros clínicos extremamente severos:
-
Uma mulher de 39 anos foi internada em UTI com choque seis dias após a injeção, mas conseguiu se recuperar;
-
Uma mulher de 48 anos relatou sintomas fortes 19 dias após receber a dose, desenvolveu meningoencefalite (comprometimento neurológico) e faleceu;
-
Um homem de 58 anos teve febre no quinto dia pós-vacina, evoluiu rapidamente para um quadro de choque refratário e também não resistiu.
Apesar da gravidade, Padilha enfatizou que não há comprovação definitiva de que a vacina seja a causa das mortes. “Nós tivemos três casos graves […] Sem, até esse momento, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência”, explicou o ministro, reforçando que o Governo mantém a confiança na capacidade científica e institucional do Butantan.
A interrupção preventiva pegou muitos de surpresa. O imunizante havia recebido o aval da Anvisa após cinco anos de acompanhamento rigoroso da fase 3 dos ensaios clínicos, que envolveu mais de 16 mil voluntários no Brasil. A pesquisa original, publicada na renomada revista Nature, atestou uma eficácia geral de 74,7%, chegando a 100% de proteção contra hospitalizações. A expectativa do Ministério da Saúde era distribuir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
O que fazer se você tomou a vacina?
Com a paralisação imediata da distribuição para Estados e municípios, o Governo Federal iniciará uma busca ativa, orientando as cidades a rastrearem possíveis novos casos de reações adversas. Quem recebeu a vacina do Butantan nos últimos 21 dias deve manter a calma, mas permanecer em estado de alerta.
É preciso buscar atendimento médico imediato e notificar a Secretaria de Saúde local caso surjam sintomas como:
-
Febre;
-
Dor abdominal intensa e contínua;
-
Vômitos persistentes;
-
Tontura, irritabilidade ou sonolência extrema;
-
Sangramentos ou sinais de desidratação.




