Associação participou nesta 3ª feira (7.jul) de audiência em Washington D.C. contra tarifa de 25% sobre calçados brasileiros
A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) afirmou, em audiência realizada nesta 3ª feira (7.jul.2026) nos EUA sobre novas tarifas às exportações brasileiras, que o Brasil ajuda a reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores asiáticos.
“O Brasil representa uma alternativa estratégica com escala produtiva significativa no Hemisfério Ocidental, apoiando os esforços dos EUA para diversificar o fornecimento e construir uma cadeia de suprimentos mais resiliente e geograficamente mais próxima”, disse a gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, que participou da reunião em nome da associação.
Letícia afirmou que o Brasil tem um papel relevante e complementar na cadeia de suprimentos de calçados dos EUA. Segundo ela, a taxação do setor causaria um impacto tarifário nos EUA.
“A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos, particularmente devido à maior proximidade logística, e maior capacidade de resposta à demanda. Todos esses são atributos relevantes para o abastecimento eficiente do mercado norte-americano, principalmente para pequenos e médios varejistas”, declarou a gerente.
Conforme dados elaborados pela Abicalçados, no 1º semestre de 2026, foram exportados para os EUA 5,6 milhões de pares por US$ 82,3 milhões, quedas de 3,6% em volume e de 23,6% em receita em comparação com o mesmo período de 2025.
Na sua argumentação, Letícia declarou que os EUA têm sido, historicamente, o principal destino das exportações de calçados brasileiros, representando uma parcela significativa das vendas externas do setor.
“Este fluxo comercial beneficia não só os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos EUA, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado estruturalmente dependente de importações”, disse a gerente.
A Abicalçados afirmou que uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros reduziria a competitividade e afetaria importadores, marcas e pequenos e médios varejistas locais.
Segundo a associação, os EUA consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico.
“Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos EUA em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte-americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos”, disse Letícia.



