Dia Mundial da Conscientização sobre o TDAH: A alimentação pode ajudar no controle dos sintomas?

Embora não exista uma dieta capaz de curar o transtorno, uma alimentação equilibrada pode favorecer a concentração, a memória e o funcionamento do cérebro

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) afeta milhões de crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. Segundo estimativas da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), isso representa cerca de 6 milhões de pessoas no país, englobando crianças, adolescentes e adultos. Embora o tratamento envolva acompanhamento médico, psicológico e, em muitos casos, o uso de medicamentos, a alimentação também desempenha um papel importante na saúde cerebral e pode contribuir para um melhor funcionamento cognitivo.

É importante destacar que não existe uma dieta capaz de curar o TDAH, nem uma cura para o transtorno, mas uma alimentação equilibrada pode favorecer a concentração, a memória, o humor e reduzir fatores que prejudicam o desempenho do cérebro.

O açúcar realmente piora o TDAH?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes. Apesar da crença popular de que o açúcar causa hiperatividade, os estudos mostram que ele não é o responsável direto pelo TDAH. No entanto, o consumo excessivo de açúcar e de alimentos ultraprocessados pode contribuir para oscilações rápidas da glicemia, favorecendo irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga e impulsividade.

Além disso, dietas ricas em refrigerantes, doces, salgadinhos, biscoitos recheados e fast-food costumam ser pobres em vitaminas, minerais e gorduras saudáveis, nutrientes fundamentais para o funcionamento adequado do cérebro.

Por isso, reduzir o consumo desses alimentos faz parte de uma estratégia nutricional que beneficia não apenas pessoas com TDAH, mas toda a população.

Nutrientes que ajudam o cérebro:

O cérebro é um órgão altamente dependente de nutrientes. Alguns deles merecem destaque por sua relação com a saúde cognitiva.

Ômega-3:

O ômega-3 participa da formação das membranas dos neurônios e da comunicação entre as células cerebrais.

As principais fontes são:

● Sardinha
● Salmão
● Atum
● Arenque
● Chia
● Linhaça
● Nozes

Proteínas:

As proteínas fornecem aminoácidos importantes para a produção de neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, substâncias diretamente relacionadas à atenção e ao foco.

Boas fontes incluem:

● Ovos
● Frango
● Peixes
● Carnes magras
● Feijão
● Lentilha
● Grão-de-bico
● Iogurte natural

Ferro, zinco e magnésio:

Deficiências desses minerais podem comprometer o funcionamento cerebral e, em alguns casos, agravar sintomas relacionados à atenção.

Eles podem ser encontrados em:

● Carnes
● Feijões
● Vegetais verde-escuros
● Oleaginosas
● Sementes
● Cereais integrais

Vitaminas do complexo B:

Essenciais para o metabolismo energético do cérebro e para o funcionamento do sistema nervoso.

As principais fontes são:

● Carnes
● Ovos
● Leite e derivados
● Leguminosas
● Cereais integrais

Medicamentos para TDAH exigem atenção especial:

Medicamentos como metilfenidato (Ritalina®) e lisdexanfetamina (Venvanse®) são amplamente utilizados no tratamento do TDAH e costumam ser bastante eficazes no controle dos sintomas. Entretanto, um dos efeitos colaterais mais frequentes é a redução do apetite.

Esse efeito pode levar à diminuição da ingestão alimentar, à perda de peso e, em crianças e adolescentes, até mesmo a prejuízos no crescimento quando não há acompanhamento adequado.

Por isso, algumas estratégias nutricionais são importantes:

● Fazer um café da manhã reforçado antes da medicação, quando o apetite costuma estar preservado
● Aproveitar os horários em que o efeito do medicamento diminui para realizar refeições mais completas
● Priorizar alimentos ricos em proteínas e calorias de boa qualidade
● Evitar substituir refeições por lanches pobres em nutrientes
● Monitorar regularmente o peso, o crescimento (em crianças) e o estado nutricional

O acompanhamento com nutricionista pode ser fundamental para prevenir deficiências nutricionais durante o tratamento.

Outros hábitos também fazem diferença:

A alimentação é apenas um dos pilares do cuidado. Outros fatores influenciam diretamente o desempenho cerebral:

● Dormir bem
● Praticar atividade física regularmente
● Manter boa hidratação
● Organizar horários para as refeições
● Reduzir o consumo de bebidas energéticas e o excesso de cafeína

A alimentação faz parte do tratamento:

O foco não deve ser buscar alimentos milagrosos, mas construir uma rotina alimentar rica em nutrientes, com alimentos naturais e refeições regulares. Isso favorece o funcionamento do cérebro e ajuda a minimizar os impactos que tanto o transtorno quanto alguns medicamentos podem causar à alimentação e ao estado nutricional.

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