Episódio foi lembrado após Moraes proibir visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai por leitura de mensagem; contextos judiciais das prisões de Lula e Jair Bolsonaro são distintos
O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin leu publicamente, em 2019, uma carta escrita na cadeia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, o petista estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e Zanin era seu advogado, antes de se tornar ministro –foi indicado em junho de 2023, no 3º mandato presidencial de Lula.
Na mensagem lida, o petista dizia rejeitar o benefício de progressão de regime para semiaberto –proposta do Ministério Público Federal do Paraná. Lula afirmou que não trocaria a sua “dignidade” pela “liberdade”.
Assista ao vídeo (1m36s):
🎥#vídeo Zanin leu em 2019 carta que Lula escreveu na prisão
🗣️ Atual ministro do STF, Cristiano Zanin leu para a imprensa uma carta escrita por Lula em 2019. Na época, o petista estava preso e Zanin era seu advogado.
⬇️ Assista ao vídeo: pic.twitter.com/hg1iFBtTbs
— Poder360 (@Poder360) July 13, 2026
O caso voltou a ser lembrado depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada depois que Flávio publicou nas redes sociais a leitura de uma carta em que Jair pediu união em torno da pré-candidatura do senador.
contexto JUDICIAL
As situações têm como ponto comum a leitura pública, por aliados, de cartas escritas por políticos presos. O contexto judicial, no entanto, é diferente.
No caso de Bolsonaro, há uma determinação expressa que o proíbe de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. Moraes considerou que a divulgação realizada por Flávio desrespeitou essa restrição. O ministro também deu 48 horas para a defesa informar se o ex-presidente sabia que o documento seria publicado.
Já Lula não tinha restrições quanto a sua comunicação externa por meio de intermediários. Na ocasião da leitura da carta, o petista havia recebido a possibilidade de cumprir a pena em casa mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado para se manter no poder em 2023. Cumpre pena atualmente em prisão domiciliar, em Brasília.
Lula havia sido condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, em abril de 2018, a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação, contudo, foi anulada pelo STF, em 2021. O Supremo entendeu que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência legal para julgar as ações e que o ex-juiz Sergio Moro agiu de forma parcial no caso
OUTRAS CARTAS
Outras cartas de autoria de Lula foram lidas durante o período em que ele esteve preso.
Em 4 de agosto de 2018, uma carta do petista foi lida durante a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência. O encontro contou com integrantes da campanha, dirigentes do PT e aliados, entre eles Haddad, Gleisi Hoffmann e Dilma Rousseff.
No dia seguinte, Lula enviou outra mensagem à direção do partido indicando Haddad para a vice-Presidência e aceitando a participação de Manuela na composição eleitoral. A carta já apresentava o ex-prefeito de São Paulo como alternativa caso a candidatura do petista fosse impedida.
Em 19 de setembro, já com Haddad como candidato, o PT divulgou uma carta de Lula com críticas ao então candidato a vice-presidente pela chapa de Bolsonaro, Hamilton Mourão. O texto respondia a declarações do general sobre famílias chefiadas por mulheres.
Depois da eleição, em 30 de novembro, outra mensagem de Lula foi lida durante uma reunião do Diretório Nacional do PT. Nela, o petista afirmou que o partido precisava “voltar a falar a linguagem do povo” e se reconectar com suas bases.




