Ministro Flávio Dino mandou bloquear R$ 6,1 mi em bens do ex-deputado; ao menos 29 emendas são investigadas
As investigações da Polícia Federal indicam que a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, tinha “pleno aval da Presidência da Casa para promover desvios de emendas” em favor do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos).
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou bloquear R$ 6,15 milhões do ex-presidente da Câmara. A decisão foi publicada em 6 de julho, mas se tornou pública neste domingo (12.jul.2026). Leia a íntegra (PDF – 488 kB).
“Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da Presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, diz Dino na decisão.
Segundo a Polícia Federal, Cunha atuava como um “vetor relevante” na definição e remanejamento de emendas por meio da funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.
A análise de mensagens entre os 2 mostra que o ex-deputado coordenava diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Casa no valor de R$ 6,15 milhões.
“Em várias passagens, o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no estado de Minas. Várias foram as trocas de municípios e indicações, tudo conforme diretrizes repassadas diretamente pelo ex-deputado”, afirma Dino na decisão.
As emendas eram destinadas a cidades de Minas Gerais, onde Cunha pretende se lançar candidato a deputado federal nas próximas eleições.
As investigações indicam que Tuca era o braço-direito do ex-deputado e ignorava os fluxos formais para cumprir as determinações de Cunha.
“As mensagens mostram que Eduardo Cunha aparentava manter atuação típica de líder partidário integrante da Câmara, mesmo não sendo deputado. Fialek, por sua vez, contava com aval para operacionalizar as demandas do ex-parlamentar”, diz Dino.
O Poder360 procurou o ex-deputado Eduardo Cunha e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para perguntar se gostariam de se manifestar sobre as investigações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.




