Nenhum dos 11 titulares que iniciaram o jogo contra a seleção brasileira em 14 de junho nasceu em território marroquino
Classificada para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026, a seleção do Marrocos mantém vivo o sonho de ir além do que foi em 2022, quando conquistou o 4º lugar, mas conquistou uma marca inédita nesta edição: tornou-se a 1ª equipe iniciar um jogo da competição sem nenhum jogador nascido no país.
Essa marca foi registrada em 14 de junho, na partida contra a seleção brasileira.
Eis a escalação que iniciou aquele jogo:
- Yassine Bounou (Bono), goleiro — Montreal (Canadá);
- Achraf Hakimi, lateral — Madri (Espanha);
- Yunis Abdelhamid, zagueiro — Toulouse (França);
- Chadi Riad, zagueiro — Palma de Mallorca (Espanha);
- Noussair Mazraoui, lateral— Leiderdorp (Holanda);
- Neil El Aynaoui, meia — Nancy (França);
- Ayyoub Bouaddi, meia — Senlis (França);
- Samir El Mourabet, meia — Estrasburgo (França);
- Chemsdine Talbi, atacante — Sambreville (Bélgica);
- Bilal El Khannouss, atacante — Molenbeek-Saint-Jean (Bélgica);
- Ismael Saibari, atacante — Terrassa (Espanha).
Diáspora como estratégia
O feito reflete uma política construída ao longo de 15 anos. Em 2009, depois da série de fracassos da seleção, o rei Mohammed 6º idealizou um projeto para reformular o futebol do país. Um dos pilares é o monitoramento sistemático de jogadores com ascendência marroquina que nasceram e se desenvolveram na Europa.
A FRMF (Federação Real Marroquina de Futebol) mantém uma rede estruturada de captação. O trabalho tem como pano de fundo a diáspora africana; estima-se que até 5 milhões de pessoas com ascendência marroquina vivam fora do país, a maioria na França, na Espanha e na Bélgica. Dos 26 convocados para a Copa de 2026, 19 nasceram no exterior. Quinze deles vieram justamente desses 3 países.
O processo ganhou forma sob o técnico francês Hervé Renard, que de 2016 a 2018 convenceu jogadores como Hakimi, Amrabat e Mazraoui a defender a equipe do Marrocos. A seleção passou a se antecipar às federações europeias na disputa por jovens promessas, e não raro, venceu essa corrida.
COPA DO MUNDO
A Copa do Mundo é um evento esportivo privado com fins de lucro. É realizado a cada 4 anos pela Fifa. As seleções se classificam por meio de eliminatórias. A comissão técnica e o elenco de cada time que disputa a competição são escolhidos por entidades privadas.
No caso do Brasil, cabe à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) definir quem é o treinador e quais são os jogadores “convocados” (na realidade, todos são convidados e vai quem tem interesse; como o ganho comercial de marketing é grande, os atletas atendem à “convocação”). A CBF é uma organização de direito privado e sem nenhum vínculo com o governo federal.
O governo do Brasil não tem nenhuma influência na escolha do time que participa do torneio. Ou seja, não é o país que está representado na Copa do Mundo, mas uma equipe de futebol escolhida por uma entidade privada.




