Zema diz que não exigiria estudo de mulheres no Bolsa Família

Pré-candidato à presidência cita “atribuições em casa” das mulheres e defende que beneficiários homens sejam estimulados a concluir o ensino fundamental e o ensino médio

O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou nesta 2ª feira (22.jun.2026) que, caso seja eleito, não exigirá estudo a mulheres beneficiárias do Bolsa Família, em uma eventual mudança nas regras do programa. 

Segundo ele, a medida teria foco prioritário em homens jovens e adultos, enquanto as mulheres seriam tratadas de forma diferente por, segundo sua avaliação, terem “outras atribuições em casa”.

“Primeiro, eu viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”, declarou Zema durante a coletiva no evento “Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria, em Brasília.

R$ 5.000 para quem sair

Na mesma fala, o ex-governador de Minas Gerais defendeu que beneficiários do programa social sejam estimulados a concluir etapas da educação básica e a buscar inserção no mercado de trabalho, com regras mais rígidas voltadas especialmente ao público masculino.

Zema afirmou ainda que a proposta busca reduzir a dependência de programas sociais e incentivar autonomia financeira. Ele criticou o que classificou como “populismo” e “paternalismo” em políticas públicas e disse que pretende criar mecanismos para estimular a saída do Bolsa Família para empregos formais.

O mineiro defendeu que o governo federal adote mecanismos para incentivar beneficiários a ingressarem no mercado formal de trabalho. Zema propôs o pagamento de um bônus de R$ 5.000 para quem deixar o programa social após conseguir emprego com carteira assinada.

“Eu vou dar um prêmio de R$ 5.000. Esse prêmio, em 5 ou 6 meses, está quitado”, declarou. Se considerado o pagamento mínimo do programa, de R$ 600, seriam necessários 8,3 meses para quitar o prêmio prometido por Zema. 

Segundo o ex-governador mineiro, a medida seria compensada pela arrecadação gerada com a formalização do trabalhador e pela redução do pagamento do benefício.

Na sequência, Zema afirmou que a permanência prolongada no programa social sem qualificação profissional prejudica a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.

“Isso perpetua uma geração que eu tenho denominado quase que de imprestáveis. Porque daqui a 5, 10 anos, ninguém se qualificou. Ninguém está preparado para um mercado de trabalho que demanda cada vez mais conhecimento”, declarou.

Bolsa Família

O Bolsa Família é o maior programa de transferência de renda da história do Brasil. Em junho, 19,35 milhões de famílias receberão um benefício médio de R$ 677,66. Em novembro de 2025, eram 18,66 milhões de cadastros. Foram admitidas 690 mil novas famílias no período, no saldo geral.


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