Indicado de Lula deve desempatar julgamentos no plenário e na 1ª Turma; expectativa é reforçar ala de Fachin
A eventual aprovação de Jorge Messias pelo Senado para o Supremo Tribunal Federal pode alterar a correlação de forças na Corte. Como ministro, Messias tende a reforçar a ala liderada por Edson Fachin, que defende a adoção de um código de ética para os magistrados e maior autocontenção do tribunal.
Atualmente, o STF apresenta divisões internas. De um lado, ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino têm criticado investidas do Congresso contra integrantes da Corte. Esse grupo avalia que o tribunal tem sido alvo de pressões, inclusive em meio a investigações relacionadas ao Banco Master.
Em decisões recentes, como no adiamento da CPMI do INSS e em disputas judiciais sobre eleições para mandato tampão no Rio de Janeiro, ministros manifestaram críticas a questionamentos sobre a conduta de integrantes do STF, especialmente em relação a Moraes, Toffoli e Gilmar Mendes.
Nos casos ligados ao Banco Master, Gilmar Mendes tem sido o único integrante da 2ª Turma a divergir do relator do inquérito, André Mendonça, sobre a condução das apurações.
Por outro lado, Edson Fachin tem reunido apoio de ministros como André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Cármen Lúcia ao defender maior autocontenção e regras para a atuação dos magistrados. Fachin, Mendonça e Nunes Marques atuaram no diálogo com senadores em favor da indicação de Messias.
Apesar das divergências internas, o apoio ao nome de Messias é amplo na Corte, com manifestações favoráveis de ministros ao indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na sabatina, Messias precisa de ao menos 41 votos no Senado para ser aprovado para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O indicado tem defendido propostas associadas à gestão Fachin, como a adoção de código de ética, maior transparência nas agendas públicas e autocontenção do tribunal.
Caso seja aprovado, Messias pode influenciar julgamentos em curso na Corte, como os relacionados ao mandato tampão no Rio de Janeiro. Também tem defendido pautas ligadas à proteção de trabalhadores em novas formas de contratação, como terceirização e plataformas digitais.
A sabatina de Messias foi iniciada nesta 4ª feira (29.abr.2026). O indicado fez acenos à oposição ao criticar o que chamou de “ativismo judicial” e tentativas de o STF “legislar” por meio da interpretação constitucional. “O STF não é órgão de controle moral da República”, declarou.
A indicação de Messias foi anunciada por Lula em 20 de novembro de 2025. A mensagem oficial ao Senado, no entanto, só foi enviada em 1º de abril de 2026, quatro meses depois.




