Governo discute rodada de alívio ao endividamento das famílias; petista indicou mudança ao mencionar alta inadimplência entre os jovens
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 6ª feira (10.abr.2026) que o governo deve incluir estudantes do Fies em programas de renegociação de dívidas. A declaração foi feita durante evento em Sorocaba (SP), de inauguração de um campus do Instituto Federal de São Paulo, financiado com recursos do Novo PAC. Ele comentou o aumento do endividamento de alunos que financiaram cursos superiores.
“Estamos com um problema porque está aumentando o endividamento dos meninos do Fies. Vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento, porque não dá para tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário“, afirmou o presidente, sem detalhar prazos ou condições.
Como mostrou o Poder360, o governo discute um novo pacote de alívio ao endividamento das famílias, que pode ampliar o alcance de programas de renegociação já existentes.
Lula argumentou que o estudante endividado, se concluir a formação, tende a quitar a dívida ao longo da carreira. “Se ele se formar e for um profissional competente, vai melhorar a qualidade produtiva do país. E aí tudo será pago”, disse.
O Fies é o programa de financiamento estudantil do governo federal voltado a alunos de baixa renda em faculdades privadas. O governo atua como fiador dos contratos desde a reformulação feita no 1º mandato de Lula.
O presidente disse que o governo não pode “tirar o sonho” de quem está devendo o financiamento estudantil. Disse ainda que um estudante no Instituto Federal custa R$ 16 mil por ano, diferente de um um preso em segurança máxima que custa R$ 40 mil, segundo ele.
O contexto é de pressão crescente sobre o programa. A dívida dos estudantes do Fies em atraso há mais de 90 dias chegou a R$ 17,9 bilhões em 2025 –alta de mais de R$ 2 bilhões em relação ao ano anterior e o maior valor desde a criação do programa.
Dados do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) mostram que cada aluno inadimplente deve, em média, R$ 46.000. Ao todo, os contratos ativos somam R$ 93,8 bilhões ainda a pagar.
A inadimplência atingiu 59,3% em 2024 –o que significa que 6 em cada 10 estudantes financiados estão em atraso. Em 2015, os inadimplentes representavam 33% dos beneficiários.
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