Governo chinês se recusa a apaziguar crise iniciada pela premiê Sanae Takaichi até que japoneses tomem “ações concretas”
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse nesta 2ª feira (30.mar.2026) que o governo chinês não tem interesse em discutir questões relacionadas a Taiwan com o Japão. A fala se deu após pergunta sobre entrevista do Poder360 com o embaixador japonês no Brasil, Yasushi Noguchi, que declarou que os japoneses estão dispostos a resolver os desgastes diplomáticos com Pequim.
Na ocasião, Noguchi afirmou que seu país apoia o diálogo entre a China e a ilha de Taiwan e quer construir um relacionamento benéfico. A porta-voz chinesa respondeu que o governo nipônico deve demonstrar sua sinceridade tomando ações concretas, como uma retratação formal sobre a fala da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrático, direita), de que apoiaria o governo de Taiwan em uma disputa militar contra a China.
“A questão de Taiwan é um assunto interno da China, e o princípio de Uma Só China é o fundamento político das relações sino-japonesas. O diálogo deve ser baseado no respeito mútuo e na busca de consenso; é inaceitável exigir diálogo enquanto se prejudicam os interesses fundamentais da outra parte”, declarou a porta-voz.
A declaração de Takaichi foi feita em novembro do ano passado. Desde a data, a relação entre China e Japão entrou em uma espiral de crise. Além da fala sobre Taiwan, a China critica as ambições do atual governo japonês em reestruturar suas Forças Armadas, o que contraria uma série de acordos firmados no pós-2ª Guerra Mundial.
A primeira-ministra japonesa nunca se retratou. Em janeiro, chegou a dizer que não atacaria a China na hipótese de uma intervenção chinesa em Taiwan, mas que organizaria uma ação militar junto aos Estados Unidos para proteger cidadãos japoneses e norte-americanos que vivem na ilha.
A explicação não foi suficiente para o governo chinês, que já adotou retaliações econômicas contra o Japão. Além de cancelar a exibição de filmes japoneses no país, a China proibiu a exportação de terras raras para empresas japonesas que podem produzir itens de uso militar. A proibição pode afetar até empresas automobilísticas como Honda e Toyota.
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