Continente depende de importações de petróleo que passam por Ormuz, rota por onde circula 1/5 do petróleo mundial
O fechamento do estreito de Ormuz, resultado da guerra entre EUA, Israel e Irã, impacta diretamente o fornecimento de energia na Ásia, segundo reportagem da NBC News. Governos de Nova Delhi a Manila adotam medidas de emergência para conter a escassez e a alta nos preços do petróleo.
No Nepal, a estatal de petróleo limitou o enchimento de cilindros de gás de cozinha (GLP) à metade para preservar estoques. Na Índia, 2º maior importador mundial de GLP, há registros de compras por pânico após o petróleo Brent ultrapassar US$ 100 o barril na 6ª feira (13.mar.2026).
A AIE (Agência Internacional de Energia) classifica o cenário como a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado global”. Diferente de EUA e Europa, a Ásia depende de importações que passam por Ormuz, rota por onde circula 1/5 do petróleo mundial.
Países como Cingapura, Tailândia, Coreia do Sul, Paquistão e Japão estão entre os mais afetados, segundo o Eurasia Group. No Sudeste Asiático, medidas de austeridade foram implementadas:
- Filipinas: semana de trabalho de 4 dias para funcionários públicos;
- Vietnã: recomendação de home office e redução do uso de veículos;
- Tailândia: suspensão de exportações de energia e aumento das reservas compulsórias;
- Bangladesh: fechamento de universidades e adiamento de feriados para poupar combustível.
Setor aéreo preocupa
A crise atinge o setor aéreo. Air India e Cathay Pacific dobraram a sobretaxa de combustível. Na Coreia do Sul, o índice Kospi caiu 2% na 6ª feira (13.mar.2026). O país, que importa 70% de seu petróleo do Oriente Médio, deve ampliar a produção de usinas nucleares e a carvão para compensar os custos.
A China, que importa cerca de 1/3 de seu petróleo via Ormuz, pediu a preservação do comércio internacional. O país já sofria impactos com a operação militar dos EUA na Venezuela. O país venezuelano fornecia petróleo com desconto a Pequim.
Na Oceania, a Austrália diminuiu os padrões de qualidade de combustíveis por 2 meses para elevar a oferta em 100 milhões de litros mensais. Analistas alertam que a interrupção pode elevar o preço de fertilizantes, pressionando a inflação de alimentos e indicando uma desaceleração econômica global.




