Conteúdos misóginos que exaltam superioridade masculina e submissão feminina têm atraído jovens na internet; o caso de estupro coletivo em Copacabana reacende debate sobre agressões às mulheres
Atenção: a matéria a seguir traz conteúdos sensíveis e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
O caso de estupro coletivo em Copacabana, que chocou o país, junto a outros casos igualmente inaceitáveis, reacendeu um debate na web acerca de conteúdos que incentivem o ódio contra as mulheres, assim como a superioridade masculina e a submissão feminina. Os termos “Red Pill”, “Incel” e “MGTOW” são nomes dados a alguns desses grupos. O portal LeoDias explica o que significam:
“Red Pill”
O grupo dos “Red Pill” tem o conceito do núcleo atrelado ao filme “Matrix”, em que são apresentadas duas pílulas diferentes, uma azul e uma vermelha.
A de coloração azulada retrata “o mundo das ilusões”, enquanto a avermelhada seria responsável por fazer “enxergar a realidade”. Como inspiração, o movimento atribui às características da obra seus próprios significados. Para os “Red Pills”, eles fazem parte de uma parcela da população que decidiu “acordar” para um mundo em que as mulheres têm mais direitos e privilégios que os homens.
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Imagem que representa violência domésticaReprodução claudiaseixas.adv.br

Mulheres enquadradas como vítimas de violência doméstica que ficam afastadas do trabalho por conta das sequelas da agressão terão renda garantida pelo INSSFoto: Marcos Santos/USP

‘Ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida’, conta mãe de adolescente de 17 anos vítima de estupro coletivo no RioFoto: Jornal Nacional/ Reprodução

Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anosReprodução
“Incel”
A palavra “incel” é resultado da junção de involuntary celibate (celibatário involuntário, em tradução livre para o português). O significado faz referência ao grupo, pois os integrantes entendem que são preteridos pelas mulheres heterossexuais.
Segundo os membros, elas escolheriam os homens para se relacionar apenas por interesses físicos e sexuais. Como resultado, os “incels” são caracterizados popularmente como homens sexualmente frustrados, que passam a cultivar o sentimento de ódio contra as mulheres.
Segundo a ONU Mulheres, o grupo acredita que os homens têm “direito” ao sexo e que as mulheres os privam disso propositalmente. “A cultura extremista incel promove estupro e agressões e mistura outras ideologias, como racismo e homofobia”, afirma a instituição.
“MGTOW”
Por mais que seja menor no Brasil, o grupo “MGTOW” (Men Going Their Own Way, ou “Homens Seguindo Seu Próprio Caminho”) ainda atrai jovens pelo mundo. O núcleo representa homens que acreditam que a sociedade está contra eles e que a melhor opção é evitar as mulheres e até o próprio meio social.
Para os integrantes da comunidade, os homens devem se preservar do mundo, priorizando o desenvolvimento pessoal. No grupo, é comum ataques às leis de proteção às mulheres e às iniciativas de igualdade de gênero.
Com toda a repercussão, uma trend (conteúdo viral) do TikTok incentivava a agressão a mulheres caso elas dissessem “não” a um pedido de namoro. A PF (Polícia Federal) abriu um inquérito para investigar os conteúdos do chamado “Caso ela diga não”.
A investigação teve início após denúncias no Dia Internacional da Mulher a respeito de conteúdos em que homens simulavam reações violentas diante de uma negativa em situações românticas. Ao supostamente escutarem um “não”, eles desferiam socos, simulavam dar facadas ou até tiros.
A Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF, que conduziu a investigação, solicitou a derrubada dos perfis que compartilharam o conteúdo e a retirada do material do ar. Segundo o TikTok, a remoção já foi realizada.
Em nota à CNN Brasil, o TikTok afirmou que os conteúdos que violam as Diretrizes da Comunidade foram removidos da plataforma assim que identificados: “Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento violento ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma”, informou.




