Ação da 29ª DP flagra comerciante com dezenas de aves nativas mantidas em gaiolas superlotadas; um filhote foi encontrado morto e dois alçapões, utilizados para capturar novos animais, estavam armados no local.
Na manhã desta terça-feira (15/09/2026), equipes da 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo) deflagraram a Operação Um Estranho no Ninho, que resultou na apreensão de 37 pássaros silvestres brasileiros mantidos irregularmente em cativeiro, em uma residência localizada na QS 4 do Riacho Fundo
Entre coleiros, canários-da-terra, pintassilgos, papa-capins e um azulão, as aves — todas espécies nativas protegidas por lei — estavam confinadas em gaiolas superlotadas e insalubres, submetidas a altas temperaturas e sem alimentação adequada, em condições incompatíveis com o mínimo necessário para o bem-estar dos animais. A ação teve início a partir de uma denúncia encaminhada à unidade, informando a criação clandestina de pássaros silvestres no endereço. Ao chegar ao local, a equipe encontrou uma verdadeira estrutura irregular de manutenção de aves, composta por 28 gaiolas repletas de animais e dois alçapões armados — armadilhas prontas para capturar outros pássaros que sobrevoassem as imediações. O detalhe mais grave da operação foi encontrado em uma das gaiolas: um filhote de papa-capim já estava sem vida. As condições do cativeiro — marcadas por privação, superlotação e ausência de cuidados adequados — são apuradas como possível causa da morte. O animal será submetido a exame pericial no CETAS/IBAMA. Segundo os elementos colhidos durante a investigação, o responsável deixava a residência por volta das 7h e retornava somente às 20h, circunstância que teria comprometido a alimentação e os cuidados necessários aos animais. A investigação apontou ainda que o autuado é proprietário de uma conhecida loja de produtos pet e agropecuários na região. Durante diligência no estabelecimento comercial, foi localizada mais uma gaiola contendo uma ave silvestre. A atividade comercial reforçou um aspecto central do caso: segundo a investigação, o homem tinha conhecimento da irregularidade relacionada à manutenção das aves nativas em cativeiro.
Diante da materialidade, o autuado foi preso e indiciado por crimes ambientais previstos na Lei nº 9.605/1998, pelos delitos de guardar espécimes da fauna silvestre sem autorização (art. 29) e de praticar maus-tratos contra animais, com o agravante da morte de um exemplar (art. 32, caput, c/c § 2º), em concurso material.
Todas as aves vivas foram encaminhadas ao CETAS/IBAMA, órgão responsável pelo acolhimento, reabilitação e eventual soltura dos animais na natureza.
Com a Operação Um Estranho no Ninho, a 29ª DP reafirma seu compromisso com a proteção da comunidade e do patrimônio natural do Distrito Federal.
O cativeiro e o tráfico de animais silvestres não são crimes sem consequências: alimentam uma cadeia de sofrimento animal, empobrecem a fauna nativa e contribuem para o desequilíbrio dos ecossistemas.
A Polícia Civil segue vigilante e reforça que denúncias podem ser feitas pelo telefone 197, com garantia de sigilo. Nenhum canto da mata deve terminar dentro de uma gaiola


