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O texto se trata de um artigo de opinião e, portanto, é de inteira responsabilidade de seu autor. As opiniões nele emitidas não estão relacionadas, necessariamente, ao ponto de vista do Distrito do Esporte.
Por Gabriel de Sousa*
No último domingo (1º/2), o Corinthians foi bicampeão da Supercopa do Brasil ao bater o Flamengo pelo placar de 2×0. Com ingressos variando entre R$ 189 e R$ 798, o Estádio Mané Garrincha bateu recorde de público com 71.244 torcedores presentes. Um número que, em um jogo entre times locais, não chegaria perto nem com entrada franca.
Como de costume com todo jogo de times grandes trago para cá, foi frequente a citação nas redes sociais, por torcedores dos Estados de origem dos dois clubes, tipificando como “mistos” os brasilienses que foram ao Mané. A antiga máxima costumeiramente evocada: “não se tem time para torcer e, por isso, não se sabe torcer”.
A crítica foi mais frequente do lado flamenguista. Sendo rubro-negro ou não, você já ouviu e, talvez até mesmo concordou de que o ambiente das partidas no Mané Garrincha não é o mesmo do Maracanã. Discorde de mim e veja os comentários nas redes sociais do clube quando os jogos são anunciados tendo Brasília como o palco.
Já sobre o Corinthians, não se pode dizer que não houve uma aula de arquibancada proporcionada pelo “bando de loucos”. Os cantos podiam ser ouvidos até mesmo a quilômetros de distância do palco da Supercopa. Apesar da festa corintiana, comentários sobre o palco da final também foram feitos por seus adeptos.
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Brasília divide com as outras regiões do País, que não possuem a mesma força que os grandes polos do futebol, o olhar malvisto. Um fogo-amigo, de quem divide o mesmo carinho por um clube, mas enxerga de maneira diferente quem é de fora do Estado onde ele está sediado.
Enquanto isso, longe dos holofotes, estão os clubes de futebol da capital federal, que sofrem para sobreviver com rendas de bilheterias, mesmo com ingressos barateados.
No momento em que é desprezado, o torcedor brasiliense poderia dar uma resposta ousada e olhar para o seu clube local como uma forma de resistência através da representatividade: é dizer aos críticos, sou brasiliense e tenho sim um time para torcer.
É fazer o brasiliense que só torce para uma equipe do Eixo adotar um clube daqui para ser o seu segundo. Depois, fazer o local ser o “primeiro” da fila da paixão pelo esporte e, quem sabe um dia, o coração do torcedor candango ser monogâmico e priorizar o amor que vem de perto.
Mas é claro que, como de costume nas colunas que escrevo esporadicamente no Distrito do Esporte, é preciso reconhecer que a ascensão da valorização do futebol candango jamais virá apenas com uma aproximação súbita do morador do DF e os clubes.
É difícil disputar os corações dos torcedores brasilienses quando os estádios onde os clubes locais jogam estão sucateados, quando os clubes são deixados de lado por investimentos públicos e privados e quando o futebol candango ainda é sinônimo de um toma lá dá cá político que prende o Distrito Federal no mais baixo degrau do futebol brasileiro.
Mas, tendo todos esses problemas em vista, por que não dar um primeiro passo e brigar pela valorização do futebol local? Por que não abraçar as equipes do Distrito Federal e exigir, de inúmeras formas, que os problemas que colocam o futebol da capital neste marasmo sejam solucionados?
Fica aqui a esperança de que cada vez mais moradores do Distrito Federal busquem devolver o rótulo de “misto” com um sentimento único: o enaltecimento do futebol local para que, um dia, possamos voltar bater de frente com os grandes.
Ao mesmo tempo que possa parecer uma missão impossível, contribuir com um pequeno gesto não é uma tarefa difícil: compre uma camisa de um clube de futebol do Distrito Federal, dê a uma criança e leve-a a um estádio.
* Gabriel de Sousa é jornalista político formado pela Universidade de Brasília e repórter do jornal O Estado de S. Paulo. Apaixonado pelo futebol e pelo seu Ceilândia Esporte Clube, usa esse espaço para analisar o impacto de esporte local no lazer dos moradores do Distrito Federal e o cotidiano das arquibancadas candangas.
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