A vilã implora ao personagem de Marcos Palmeira: “Aperta o meu pescoço com essa mão imunda, me mata, me estrangula…”
Arminda (Grazi Massafera) vai deixar o engomadinho Ferette (Murilo Benício) de lado para se entregar a alguém completamente inesperado: Joaquim (Marcos Palmeira), o dono do ferro-velho da Chacrinha. O encontro entre os dois acontece numa sequência perturbadora e simbólica de “Três Graças” e revela um lado até então oculto da vilã.
Depois de ser escorraçada da casa de Gerluce (Sophie Charlotte) e se perder pela comunidade, Arminda acaba entrando no ferro-velho de Joaquim, assustada com tiros ao longe. Desorientada, ela mente sobre o motivo de estar ali e começa a demonstrar uma estranha familiaridade. Ao sentir o cheiro dele, questiona: “A gente já se conhece?”. Joaquim nega, mas o texto deixa claro que Arminda reconhece algo que vem do passado.
A virada acontece quando o desejo fala mais alto. Sem filtros, Arminda verbaliza o que sente: “Esse cheiro… inebriante… vem de você, sim… é de homem!”. A partir daí, a cena mergulha num embate físico e emocional em que atração e repulsa caminham juntas.
Arminda passa a pedir para ser humilhada, numa inversão brutal de poder em relação à mulher que costuma humilhar todos à sua volta: “Me chama de vagabunda, ordinária, rampeira, diz que sou uma cachorra que você pegou na rua…”. Joaquim responde no mesmo tom, sem aliviar: “Foi isso mesmo que aconteceu, eu te peguei na rua, sim, e é lá que vou te jogar de novo depois que a gente acabar.”
A sequência fica ainda mais extrema quando Arminda implora: “Aperta o meu pescoço com essa mão imunda, me mata, me estrangula…”, e Joaquim completa: “Pros cachorros comer!!!”. É nesse momento que a direção corta para um detalhe simbólico: sob uma lona, repousa a escultura das Três Graças, escondida no ferro-velho, como se fosse testemunha silenciosa daquele colapso moral.
Horas depois, Arminda acorda assustada, percebe o objeto coberto e tenta descobrir o que há por baixo da lona. Joaquim a flagra e reage com fúria: “Foi por isso que você veio aqui? Pra ver se tem alguma coisa de valor no meu ferro velho?!”. Assustada, ela retoma o discurso de negação e tenta apagar o que aconteceu: “Não me interessa nenhuma porcaria que você guarde debaixo dessa lona. Tudo que eu quero é voltar pra minha casa…”.
O acordo final entre os dois é seco. Joaquim aceita levá-la até um táxi, mas impõe um limite claro: “Desde que não me procure nunca mais…”. Arminda tenta reduzir tudo a um surto: “Tudo não passou de um ataque de loucura, um pesadelo.”
Mas o roteiro deixa claro que não foi bem assim. Já dentro do carro, Arminda disfarça, cheira o próprio braço e suspira, indicando que o encontro com Joaquim a marcou mais do que ela jamais admitiria.




