Todo dia, o sol nasce. Todo dia, o carteiro entrega cartas(boletos). E todo dia, em algum lugar do mundo, nasce uma nova pessoa… folgada. A vontade é de chamar de babaca, mas a depender do horário que você está lendo isso, pode acontecer do Enzo Valentino ter um psico trauma por ler uma palavra que defina alguém chato pra caramba.
O folgado, longe de ser aquele que tira férias, é aquele que parece ter vindo ao mundo com um manual de instruções em áudio 2x e com bastantes figuras para não precisar ter muito esforço. A todo momento surge um folgado. Seja no estacionamento, na fila do mercado, pai de aluno, a pessoa que se recusa a lavar a própria louça, aquele que nunca contribui com a divisão no churrasco, aquele que aparece na festa sem ser chamado ou, pior, convida terceiros sem permissão.
A folga não tem classe social, gênero ou idade. Ela é democrática e se adapta a qualquer ambiente, seja no trabalho, em casa ou até na fila do pão. Seja na igreja, na reunião do condomínio, na roda de samba e no atendimento do Detran para emitir a segunda via. Basicamente, a pessoa folgada se adapta ao momento, ao clima, ao horário, ao o que estiver disponível, se tornando indisponível, mas é no trabalho que o folgado veste a fantasia de Wolverine e põe as garras para fora, com o intuito de se escorar nos outros. Chega atrasado, sai mais cedo, sempre ocupado, nunca ajuda na vaquinha para o lanche, mas come feito um monge tibetano. Seu maior feito é fazer o tempo passar, quando resolve trabalhar é sempre achando mais trabalho para os outros.
A folga é contagiosa?
A folga é um paradoxo. Nos irrita, mas secretamente a admiramos um pouco. Quem nunca desejou ter a desenvoltura do folgado para dizer “Não” a uma tarefa ou a coragem de simplesmente se desconectar? Talvez o nascimento diário de um folgado seja um lembrete constante de que, em um mundo obcecado por produtividade, há sempre alguém disposto a testar os limites do ócio. E enquanto houver tarefas a serem feitas, haverá um folgado, pronto para deixar que outra pessoa as faça.
Fazer o que, né? Melhor deitar para pensar melhor.
Thiago Maroca é escritor, cineasta e chefe escoteiro. Tem preguiça de quem é folgado. Acha contagioso.
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