Testemunha-chave do caso Master, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão cometeu suicídio enquanto estava sob custódia da PF em BH
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) enviou, nesta 5ª feira (5.mar.2026), um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitando explicações sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, testemunha-chave do caso Master. Sicário, como Mourão é conhecido, cometeu suicídio enquanto estava sob custódia da PF (Polícia Federal) em Belo Horizonte. Eis a íntegra (PDF – 107 kB).
No ofício, Viana solicita:
- Relatório circunstanciado do ocorrido, com descrição cronológica dos fatos que antecederam a morte do custodiado;
- Identificação da unidade da Polícia Federal onde o investigado se encontrava custodiado e das autoridades responsáveis pela custódia no momento do ocorrido;
- Informações sobre os protocolos de vigilância e monitoramento do local, incluindo eventual existência de sistema de câmeras e registros disponíveis;
- Registro da última verificação realizada pelos agentes responsáveis antes da constatação da morte;
- Informações preliminares constantes de eventual laudo pericial ou exame realizado pelas autoridades competentes;
- Providências administrativas e investigativas já adotadas pela Polícia Federal para a completa apuração dos fatos.
O senador disse ainda que enviará um ofício ao Ministério da Justiça “para que seja feito um acompanhamento severo de toda a investigação, para que a gente possa esclarecer de fato tudo o que aconteceu nessa morte”.
O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder da oposição na Câmara, também enviou requerimento à PF e ao MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) pedindo informações detalhadas acerca da morte de Mourão. Eis a íntegra (PDF – 98 kB).
“Uma pessoa que está ali sob a custódia do Estado, que tem toda uma quantidade de informações a revelar sobre os novos escândalos financeiros que hoje o Brasil começa a conhecer e também políticos, essa pessoa acaba se matando. Isso precisa ser acompanhado de perto porque nos parece, em primeiro momento, a possibilidade até de uma queima de arquivo”, afirmou Viana na manhã desta 5ª feira (5.mar.2025), em entrevista à CNN Brasil.
Sicário foi preso pela Polícia Federal na manhã de 4ª feira (4.mar.2026), durante a 3ª fase da operação Compliance Zero.
Em nota divulgada às 16h55 e atualizada às 17h14, a Polícia Federal informou que Mourão havia tentado se matar enquanto estava preso. Policiais federais tentaram reanimá-lo e acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que o levou ao Hospital João 23, no centro de BH. A corporação não informou em quais circunstâncias o preso foi encontrado por agentes e nem o que aconteceu.
QUEM É O SICÁRIO
Luiz Phillipi Mourão integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação desta 4ª feira (4.mar), o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, cita duas conversas entre ele e o banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação:
- ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
- ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
- tinha relação direta com Vorcaro;
- recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” –o valor era pago por intermédio de Fabiano Zaettel, também preso na operação desta 4ª feira (4.mar);
- era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
- há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
- era quem coordenava o grupo conhecido como “A Turma”, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça (PDF – 384 kB).
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.



