Sucesso na primeira leva de episódios, Letícia Rodrigues não retorna como a personagem, mas estreia peça em São Paulo neste sábado
A segunda temporada de “Tremembé” ainda nem começou a ser gravada, mas já chega cercada de mudanças importantes nos bastidores. Uma das principais é a ausência de Sandrão, personagem vivida por Letícia Rodrigues, que não estará nos novos episódios da série do Prime Video.
A decisão está diretamente ligada a uma disputa judicial. Sandra Regina Ruiz Gomes, a mulher que inspirou a personagem, entrou com um processo contra a plataforma pedindo cerca de R$ 3 milhões. Na ação, ela alega que a produção distorce fatos relacionados ao seu crime e apresenta informações que, segundo ela, não condizem com a realidade. Com isso, a personagem acabou ficando de fora da continuação da série, que inicia suas gravações ainda este mês.
Após a publicação desta matéria, no entanto, uma fonte ligada à produção da série procurou coluna para contar que Sandrão ficou de fora porque a atriz não se sentiu mais à vontade para interpretar o personagem. Isso ocorreu porque, na entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, Sandrão afirmou que é um homem trans e que agora prefere ser chamado de “o Sandrão”, e não “a Sandrão”, como era tratado na série.
Como Letícia é uma mulher cis, ela não se sentiu confortável em interpretar um personagem que é um homem trans. De acordo com esta fonte, o motivo não tem nada a ver com a disputa judicial. O jurídico, inclusive, orientou que os roteiristas não levassem isso em consideração, pois não deveria impactar o trabalho criativo na sala de roteiro. Além disso, vale dizer, Sandrão já perdeu a ação em primeira instância.
Se por um lado Letícia Rodrigues não retorna ao universo de “Tremembé”, por outro, a atriz segue em evidência, mas agora nos palcos.
Ela estreia neste sábado (11) a peça “116 Gramas: peça para emagrecer”, em cartaz no Centro Cultural São Paulo. O espetáculo faz parte da programação “Abril pra Dança” e terá sessões no sábado e domingo, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos.
O projeto é autoral e nasce de uma inquietação pessoal da atriz, que já declarou ter criado o trabalho a partir da falta de espaço para mulheres fora do padrão na dramaturgia.
A montagem, que já soma anos de desenvolvimento, propõe uma reflexão sobre corpo, padrão estético e pertencimento — temas que dialogam diretamente com a trajetória da própria artista. Ou seja: fora das telas, mas longe de sair de cena.




