Depois que Flávio Bolsonaro decidiu apoiar Moro para o governo paranaense, governador passou a ter risco de não fazer sucessor nem eleger alguém para o Senado
A pré-candidatura de Ratinho Junior (PSD) ao Planalto era dada como certa, mas o cenário mudou diante de sinais de fragilidade política. O governador perdeu apoios partidários e viu o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, declarar que vai apoiar Sergio Moro (PL-PR) ao governo do Paraná. Diante desse contexto, passou a considerar mais vantajosa a permanência no Palácio Iguaçu.
A decisão foi tomada na noite de domingo (22.mar.2026), após conversas com a família. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi informado nesta 2ª feira (23.mar).
Pesou para Ratinho Junior o risco de não conseguir viabilizar um sucessor no Paraná, abrindo espaço para Moro –que lidera as disputas no Estado. A decisão de Flávio de apoiar o ex-juiz da Lava Jato enfraqueceu ainda mais as chances de o governador emplacar um aliado, junto com a falta de apoio de outros partidos, como o Novo.
Com a ida do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca para o MDB, visando a disputar o governo do Paraná, as opções do PSD ficaram limitadas:
- Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná;
- Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba;
- Guto Silva, secretário estadual das Cidades.
Também pesou a falta de nomes competitivos para disputar o Senado.
Caso deixasse o cargo para concorrer ao Planalto e fosse derrotado, Ratinho Junior correria o risco de perder espaço no próprio Estado, com o fortalecimento do campo adversário, não conseguir eleger senadores e ainda ver consolidada a ausência de um sucessor viável ao governo.
Nesse cenário, a decisão de permanecer no cargo foi vista como uma forma de preservar capital político até 2026, tentar fortalecer um candidato ao governo capaz de enfrentar Moro e, ao mesmo tempo, viabilizar a eleição de ao menos um aliado ao Senado, evitando ficar sem base de poder a partir de 2027.
Horas antes de anunciar sua desistência, Ratinho Junior realizou um almoço com cerca de 40 deputados, mas o tom durante o encontro foi de despedida, não de que o governador seguiria no cargo até o final do seu mandato.



