Os suspeitos teriam contado com o apoio do ex-namorado da vítima para armar a emboscada contra a adolescente de 17 anos, segundo as investigações da Polícia Civil
Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima desse tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já tenha passado por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue 180.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro procura quatro jovens acusados de cometer estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em Copacabana. Segundo a investigação, a “emboscada” teria sido planejada pelo ex-namorado da vítima, também de 17 anos. O Disque-Denúncia divulgou neste domingo (1º/3) a identidade dos rapazes. Dois deles são estudantes do tradicional Colégio Pedro II.
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Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anos

Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anos
Um cartaz para ajudar na identificação dos jovens foi divulgado pelo órgão para auxiliar na localização dos quatro, que são considerados foragidos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19. Um menor de 17 anos também é investigado, mas teve a identidade preservada.
A instituição de ensino Pedro II também comunicou o desligamento dos estudantes e que procedeu com todas as ações necessárias. Um dos investigados também era atleta do Serrano Football Club, que comunicou o afastamento imediato de João Gabriel Xavier Bertho.
O delegado titular da unidade, Ângelo Lages, informou que o caso está sendo tratado como uma “emboscada planejada”. “Foi uma emboscada planejada, em que a vítima foi enganada por meio de um convite simulado feito por um dos agressores, que já havia se relacionado com ela e estuda no mesmo colégio. A partir dessa relação de confiança, ela foi até o imóvel para se encontrar com ele. No entanto, o quarto foi invadido por outros quatro adultos, que praticaram violência sexual, agressões físicas e violência psicológica”, afirmou.
O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, e imagens do circuito interno de segurança mostram a entrada e a saída dos suspeitos do apartamento, próximo ao horário da ação. Mensagens por aplicativo anexadas ao inquérito também revelaram a conversa entre a adolescente e o ex-namorado, em que ele a convida para ir até o apartamento e afirma que ela poderia levar uma amiga, mas a jovem afirma que não teria quem levar. O adolescente diz, então, que não haveria problema em ela ir sozinha. Logo após, eles combinam o encontro e o horário de chegada.
Segundo o laudo do exame de corpo de delito, foram apontados infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal, além de três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glútea.
Ainda de acordo com o relatório da investigação, após o menor acompanhar a vítima até a saída do edifício, o adolescente retornou ao apartamento com gestos que foram interpretados pelos investigadores como de comemoração.
A Polícia realizou a operação “Não é Não” no último sábado (27/1) para cumprir o mandado de prisão preventiva dos quatro maiores, expedido pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes, mas os jovens não foram encontrados. Já no caso do único menor de idade, foi expedido mandado de busca e apreensão, e a apuração ficará a cargo da Vara da Infância e da Adolescência.
Em nota, a defesa de um dos envolvidos nega o crime: “A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente. Há nos autos do processo mensagens de texto trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido a oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem, ao fim do encontro, despedindo-se do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”.




