Petrobras vai operar centro de tratamento animais da Margem Equatorial

Estatal recebeu licença para a 2ª unidade que tratará bichos afetados pela exploração da região; Ibama inspecionará o local

A Petrobras recebeu na 6ª feira (4.abr.2025) a licença da Secretaria de Meio Ambiente do Amapá para iniciar as operações do 2º CRD (Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna) no município de Oiapoque (AP).

Em comunicado, a estatal afirmou que o centro funcionará como um “hospital veterinário” para animais que podem ser afetados pela exploração da Margem Equatorial.

O local conta com ambulatório, salas de estabilização, centro cirúrgico e espaços destinados ao atendimento de aves, mamíferos marinhos, tartarugas, golfinhos e peixes-boi. A unidade de Oiapoque atuará de forma integrada com o 1º CRD, localizado em Belém (PA).

A construção do CRD é um dos requisitos para licenciamento ambiental do projeto de perfuração que a Petrobras planeja realizar no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá.

A área está situada a mais de 540 km da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. A companhia tem o objetivo de investigar a existência de petróleo na costa do estado.

Para iniciar as atividades no Amapá, a Petrobras ainda depende de inspeção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A empresa informou que o espaço estará disponível para vistoria a partir da próxima 2ª feira (7.abr.2025).

MARGEM EQUATORIAL

A Margem Equatorial, que se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá, é conhecida por suas recentes descobertas de petróleo e gás. A Petrobras, com 16 poços nesta nova fronteira exploratória, tem sido criticada por ambientalistas por causa da exploração em áreas sensíveis. No entanto, a empresa afirma ter compromisso com a sustentabilidade e a preservação ambiental.

A instalação de Belém, operacional desde fevereiro de 2023, é citada como exemplo do compromisso da Petrobras com a fauna marinha. A equipe inclui 6 profissionais, entre veterinários e biólogos. A companhia afirma que o centro está preparado para atender animais afetados por vazamentos de óleo.

A bióloga Elisa Vieira cita o CRD como um dos mais modernos centros de atendimento a animais do país. “A estrutura [conta com] todas as etapas de atendimento ao animal, recepção, triagem, estabilização, etapa de lavagem, de secagem. Tem todos os recintos para aves, tartarugas e mamíferos marinhos [peixe-boi e cetáceo, por exemplo]”, descreve a analista ambiental da Petrobras. “Inclui também uma estrutura de corredor de voo que auxilia as aves antes de elas poderem ser soltas na natureza”, afirmou à Agência Brasil.

A veterinária Stephane Franco comenta que, diferentemente do que imagina o senso comum, a prioridade não é a retirada do óleo, e sim a estabilização do animal na chegada de vítimas de derramamento de óleo.

Quando o animal chega no centro de reabilitação oleado, vai precisar inicialmente passar por uma avaliação clínica. Ele pode estar muito magro porque não conseguiu se alimentar direito por conta do óleo, com uma temperatura muito baixa”, disse.


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