O imposto invisível: Quanto você paga para fingir que está tudo bem?

Para iniciar o nosso ano, vamos trabalhar em torno do Janeiro Branco, mês de conscientização da saúde mental. E como sempre, gostaria de usar uma metáfora para introduzir o tema: E se você fosse uma empresa?

Na ponta do lápis, o sofrimento psíquico não tratado é um dos maiores ralos de dinheiro, tempo e energia da vida adulta. Entenda por que a psicanálise não é um gasto, mas o investimento com o maior ROI (Retorno sobre Investimento) para o seu ano que inicia.

Janeiro é o mês oficial dos orçamentos. É o período em que planilhamos os gastos fixos, revisamos as faturas de cartão de crédito do final do ano e tentamos equilibrar as metas financeiras com a realidade dos impostos de início de ciclo. Falamos de IPVA, IPTU, reajuste de aluguel e mensalidades escolares.

No entanto, existe um item que raramente aparece nas planilhas, mas que consome, silenciosamente, uma fatia gigantesca do seu patrimônio e da sua vitalidade. O Imposto do Autodesconhecimento.

Se você chegou a este Janeiro Branco adiando a decisão de cuidar da sua mente por “falta de verba” ou por considerar a análise um luxo, convido-o a fazer um levantamento real de custos comigo.

Do ponto de vista da neurociência e da educação socioemocional (modelo CASEL), o custo mais alto que pagamos é o da baixa qualidade decisória.

Quando você está sob estresse crônico, ansiedade generalizada ou em um estado de exaustão (burnout), o seu córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável pela lógica, planejamento e controle de impulsos, é “sequestrado” pela amígdala cerebral, o centro do medo.

Em termos de gestão, isso significa que você está operando o “negócio da sua vida” em modo de emergência. Quantas decisões financeiras equivocadas você tomou por impulso? Quantos investimentos ruins fez porque estava ansioso demais para pesquisar? Quantas vezes você comprou algo de que não precisava apenas para obter um alívio momentâneo de dopamina para uma dor que era emocional?

O custo de uma única decisão errada tomada em um momento de desequilíbrio emocional pode ser superior a um ano inteiro de sessões de psicanálise. O que a boca não fala, o corpo grita.

Faça as contas de quanto você gastou no último ano com:

  • Remédios para dormir, para acordar, para digerir o estresse ou para aliviar dores de cabeça tensionais.
  • Consultas com especialistas (cardiologistas, gastroenterologistas, dermatologistas) para tratar sintomas que, no fundo, tinham origem nervosa.
  • Exames repetitivos que não detectam nada físico, mas que você faz porque a ansiedade o convence de que há algo “errado” com seu coração ou seu cérebro.

A medicina paliativa é caríssima. Tratar o sintoma sem investigar a causa é como tentar enxugar um chão onde a torneira continua aberta. A psicanálise, ao fechar essa torneira psíquica, interrompe o ciclo de gastos com a medicalização da vida.

Se aplicarmos as métricas de gestão ao campo pessoal, veremos que o conflito não resolvido é o maior destruidor de valor.

Quanto custa um divórcio litigioso que poderia ter sido evitado (ou conduzido com dignidade) se as partes tivessem maturidade emocional para lidar com seus próprios desejos? Quanto custa a perda de oportunidades na carreira porque você é “difícil de lidar”, não aceita críticas ou entra em conflitos constantes com colegas e superiores?

No mundo corporativo, falamos em presenteísmo, quando o funcionário está fisicamente no trabalho, mas sua mente está tão sobrecarregada que ele produz apenas uma fração do que poderia. Se você é um profissional liberal ou empresário, o seu “presenteísmo” por angústia é um prejuízo direto no faturamento do seu negócio.

Na economia, “custo de oportunidade” é o que você deixa de ganhar ao escolher um caminho em detrimento de outro. No campo da saúde mental, este é o custo mais trágico de todos.

Quanto vale o tempo que você perdeu este ano em estado de letargia, sem conseguir brincar com seus filhos porque sua mente estava ruminando problemas? Quanto vale a viagem que você não aproveitou porque sua ansiedade o manteve preso em pensamentos catastróficos? Quanto vale a ideia inovadora que você não tirou do papel por medo de falhar?

O Janeiro Branco não é apenas sobre “não estar doente”. É sobre a potência de agir. Um sujeito que conhece seus traumas, que sabe lidar com sua falta e que entende a gramática do seu desejo é um sujeito muito mais eficiente, criativo e produtivo.

Muitas pessoas veem o valor da sessão e pensam no “preço”. O analista propõe que você pense no valor. Uma decisão assertiva não tem preço.

A psicanálise não é um consumo. Consumo é o que você compra, usa e deprecia. A psicanálise é um ativo imobilizado. O conhecimento que você adquire sobre si mesmo, a estrutura emocional que você constrói e a capacidade de autorregulação que desenvolve não perdem o valor com o tempo; pelo contrário, eles se valorizam e protegem todos os seus outros ativos (carreira, família, patrimônio).

Ser dono da própria história permite que você pare de pagar o “imposto invisível” de repetir os erros dos seus pais ou de ser escravo de expectativas sociais que não são suas.

As promessas de Réveillon já foram testadas pela realidade, muitas vezes. Se você percebeu que está pagando caro demais para manter as aparências; se percebeu que o custo de “fingir que está tudo bem” está drenando suas economias e sua saúde, talvez seja hora de mudar a estratégia de gestão da sua vida.

Saúde mental não é uma despesa que se corta quando o orçamento aperta. É a base sobre a qual todo o seu orçamento é construído. Sem uma mente funcional e um desejo orientado, nenhum sucesso financeiro será suficiente para trazer paz.

Neste Janeiro Branco, faça a melhor escolha de gestão do seu ano: invista na única empresa que você não pode declarar falência: você mesmo.

É sempre tempo de desatar nós e gerir melhor a sua vida!

Prof. Dr. William Figueiredo é filósofo, psicanalista e educador físico. Pós-doutor em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia e doutor em Ciências da Religião. Especialista em Psicopatologia e Bem-Estar Social pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, atua com atendimento clínico online, supervisão e assessoria em desenvolvimento humano e educacional. Atua como professor colaborador na Pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo. Ministra palestras, formações e workshops voltados à escuta qualificada, saúde mental e processos educativos com ênfase em: Psicanálise, Neuroeducação, Aprendizagem Tangencial, IA e Educação Socioemocional.
Sentiu que este texto conversa com você?
A jornada analítica começa com uma primeira escuta. Se você está pronto para ir além dos sintomas e entender as raízes do seu sofrimento, agende uma conversa preliminar de acolhimento (online ou presencial).
www.3eb.com.br
contato@3eb.com.br
@trieb_psicanalise

source

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com