No Brasil, o Carnaval transcende a mera festa popular; ele marca o verdadeiro início do ano. É o momento de superar a ressaca das festas de Natal e Ano Novo e, para muitos, um último suspiro para esgotar o limite do cartão de crédito. É a prova viva de que o ser humano pode sobreviver a dias de desidratação, substituindo a água unicamente pelo álcool. Mas o Carnaval não se resume à bagunça que alguns reprimidos insistem em condenar.
Há Carnaval para todos os gostos e tribos: blocos de rua, bailes tradicionais, festas privadas. É uma celebração para crianças e idosos, para quem busca dançar, namorar e até mesmo para o público mais careta, com opções de folia mais “santas”. Há até quem prefira acampar, mesmo sob o risco das chuvas torrenciais típicas da época(São Pedro mete o louco).
Eu sempre fui um amante do Carnaval. Desde que me entendo por gente, já me fantasiei de diversas formas. Hoje, adoto uma postura mais militante e evito fantasias femininas, em respeito às mulheres trans. Minha paixão me leva aos bloquinhos sempre em busca do meu eterno Axé dos anos 90, com bandas icônicas como Banda Eva, Cheiro de Amor, Terra Samba, Araketu, Olodum, Timbalada, Pimenta Nativa e o fenômeno “É o Tchan!”.
A história do Brasil é pontuada por diversas rupturas: do Brasil Colônia ao Império, da República Café com Leite a JK, da Ditadura Militar à Constituição de 88, o Tetra de 1994… E, de forma peculiar, a escolha da Loira e da Morena do Tchan no Domingão do Faustão, enquanto os Mamonas Assassinas agitavam o Domingo Legal com o Gugu. O Carnaval nunca mais foi o mesmo depois do surgimento do “É o Tchan”, com seus sucessos de “Ulalá” a “Tchan na Selva”, liderados por Compadre Washington, Beto Jamaica, Jacaré e as Sheilas, Melo e Carvalho, esse Brasil dançou a dança da bundinha com as mãos no joelho até acabarem com a sola do tamanco da Carla Perez, a ex-eterna dançarina do Tchan.
Nos anos 2000, em Valparaíso de goiás, participei ativamente da escola de samba “Mocidade Valparaíso”, desfilando por cinco anos ao lado dos meus amigos. Era a chance de sentir, mesmo que de longe, a emoção de desfilar em uma agremiação carioca. No meu último ano, fui convidado a ser o Sol no carro alegórico, mas acabei desfilando no chão como destaque, devido à inveja de alguns. Brilhei do mesmo jeito, mas encerrei minha carreira ali, pois a escola foi se desfazendo com o envelhecimento dos fundadores.
Eu amo o Carnaval porque ele é pura alegria. Os bailes infantis que frequento com meu filho renovam minha esperança em um mundo melhor, cheio de pessoas felizes que brincam, se divertem e apreciam a vida.
Se você não gosta, aproveite o feriado da melhor forma possível, mas não lance pragas sobre quem ama colocar seu bloco na rua.
Lembrando que não é não e o 180 funciona 24horas.
Bom Carnaval para todo mundo. Axé!
Thiago Maroca se não começar a dieta em breve poderá se candidatar a Rei Momo, mas até é escritor, cineasta e chefe escoteiro.
Manda um oi: @thiagomaroca / thiagomaroca@gmail.com



