As ações do Nubank (BDR: ROXO34) registram forte queda após o resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25), mesmo com números considerados fortes. Em Nova York, às 16h20 (horário de Brasília), os papéis caíam 7,96% (US$ 15,32), enquanto o BDR (recibo de ações negociado na B3) tinha baixa de 5,84%, a R$ 13,21.
A Nu Holdings, entidade listada que administra o banco digital brasileiro Nubank, divulgou na quarta-feira um aumento de 50% no lucro líquido do quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, devido ao crescimento de sua base de clientes. Os analistas levantam questões sobre os custos do banco.
O Nubank, que opera no Brasil, México e Colômbia e vem se preparando para entrar no mercado norte-americano, registrou um lucro líquido de US$ 894,8 milhões no trimestre de outubro a dezembro, acima dos US$ 552,6 milhões no mesmo período de 2024.
Viva do lucro de grandes empresas
O diretor financeiro do Nubank, Guilherme Lago, disse à Reuters que o aumento no lucro foi impulsionado pelo maior número de clientes, um aumento da receita por cliente ativo e por estabilidade no custo de servir. “Isso traz uma alavancagem positiva com relação à receita”, afirmou.
Na visão da XP Investimentos, o Nubank apresentou um 4T misto, combinando fortes tendências operacionais com pressões de custo de risco e despesas. Para a casa, embora o crescimento core tenha permanecido sólido, o trimestre refletiu maior custo de risco, aumento de despesas e dependência de benefícios fiscais para sustentar a rentabilidade.
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Os analistas do JPMorgan afirmaram que o lucro líquido ficou acima das suas expectativas e das do mercado, mas observaram que isso se deve principalmente a uma taxa de imposto inferior à prevista, “o que pode ser o principal argumento dos investidores pessimistas, mesmo que a maioria dos indicadores operacionais pareça boa”.
O Nubank informou que sua receita total aumentou 45% no trimestre, para US$4,86 bilhões. O número de clientes nos seus três mercados atingiu 131 milhões, um aumento de 15%.
“Foi um trimestre forte para o Nubank em termos de receita, com aceleração no crescimento da carteira de empréstimos e na receita líquida de juros”, afirmaram analistas do Citi. “No entanto, o custo do risco e as despesas operacionais obscurecem o panorama para o Nubank”, acrescentaram.
O Nubank expandiu a carteira de crédito em 40% na base anual, para US$32,7 bilhões, enquanto a taxa de inadimplência superior a 90 dias foi de 6,6%, queda de 0,1 ponto percentual.
Lago disse em uma teleconferência com analistas que as taxas de inadimplência normalmente aumentam no primeiro trimestre devido à “sazonalidade natural”, o que o Nubank espera ver novamente este ano.
O Nubank obteve em janeiro a primeira das três aprovações regulatórias necessárias para entrar no mercado dos EUA no próximo ano.
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O CEO David Vélez disse na teleconferência que o mercado bancário dos EUA parece muito competitivo, mas que há oportunidades em certas subáreas dos EUA.
Para os analistas do Itaú BBA, o trimestre foi marcado por um desempenho operacional sólido, apesar de diversos efeitos pontuais que tornaram a leitura do resultado menos direta.
O banco foi impulsionado principalmente pelo crescimento robusto da carteira de crédito e pela forte expansão das receitas. Embora o lucro tenha vindo em linha com as expectativas, o resultado antes de impostos ficou abaixo do previsto, sendo compensado por uma taxa efetiva de imposto mais baixa — com efeitos não recorrentes contribuindo positivamente.
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“No geral, o trimestre reforça a trajetória de ganho de escala, rentabilidade consistente e avanço em diversas frentes comerciais e operacionais. Desta forma, reiteramos recomendação de ‘compra’ para a ação negociada em Nova York, com preço-alvo de US$ 20 ao fim de 2026”, avalia o BBA.
(com Reuters)




