Apenas 1 milhão de jovens. Esse é o número de estudantes que, dos quase 3,7 milhões inscritos no Prouni, continuaram seus estudos no ensino superior.
Foi diante desse cenário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento realizado em Fortaleza (CE), propôs uma solução: expandir o programa Pé-de-Meia para o ensino superior, levando o mesmo incentivo financeiro que já reduziu a evasão no ensino médio para milhares de jovens que lutam para se manter na universidade.
Se a proposta avançar, o Brasil pode dar um passo decisivo para transformar o acesso ao ensino superior em permanência real — e não apenas em uma matrícula esquecida.
Pé-de-Meia: das escolas públicas ao ensino superior
O programa Pé-de-Meia, lançado em 2024 pelo governo federal, foi desenhado para estudantes do ensino médio público, sobretudo de famílias cadastradas no CadÚnico e com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
Seu objetivo é simples: oferecer uma poupança educativa, premiando frequência e aprovação escolar, e assim transformar o cenário do abandono escolar no Brasil.
Com incentivos de R$ 200 mensais para frequência, R$ 1.000 por ano para aprovação e ainda bônus específicos para o Enem, o Pé-de-Meia já soma mais de 5,6 milhões de estudantes contemplados em todo o país. Os impactos dos resultados são: a taxa de evasão escolar caiu de 6,4% em 2022 para 3,6% em 2024, enquanto a reprovação diminuiu 33% no mesmo período.
Por que pensar o Pé-de-Meia para universitários?
A preocupação do presidente Lula se fundamenta em um problema recorrente: muitos estudantes conquistam o acesso ao ensino superior, mas não conseguem permanecer até a conclusão do curso – principalmente devido às condições financeiras.
“Quem sabe a gente tem que criar um Pé-de-Meia para que ninguém desista da universidade nesse país até se formar”, declarou Lula no Ceará, evidenciando sua intenção de ampliar o alcance do programa.
Hoje, além do ensino médio, existe uma ramificação chamada Pé-de-Meia Licenciaturas, voltada apenas para universitários de cursos da área de educação. O novo Pé-de-Meia sugerido por Lula atenderia todos os estudantes do ensino superior público, ampliando o combate à evasão para fora das licenciaturas e abrangendo outras áreas do conhecimento.
Impacto financeiro e estrutura do benefício
O governo federal já investiu R$ 18,6 bilhões no Pé-de-Meia, com resultados perceptíveis tanto na permanência escolar quanto na equidade, beneficiando principalmente jovens negros, pardos e indígenas.
A proposta de Lula para o ensino superior envolve a mesma lógica: criar uma poupança especial para universitários, estimulando frequência e desempenho até a graduação, e minimizando desistências motivadas por carência financeira.
Segundo dados do próprio MEC, entre os atuais beneficiários do Pé-de-Meia, 51,5% são mulheres, 72,9% são negros (pretos e pardos) e mais de 56 mil são indígenas – perfis historicamente mais vulneráveis à interrupção dos estudos por questões econômicas.
Lula e o discurso sobre a educação pública
Durante a inauguração do alojamento estudantil do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em Fortaleza, Lula enfatizou a importância do investimento social na educação, ironizando críticos do mercado financeiro:
“Por que esse Lula fica colocando R$ 18 bilhões para cuidar de filho de pobre na escola se poderia estar aqui, no banco, rendendo, para a gente ficar mais rico?”.
Números do Pé-de-Meia: redução da evasão no ensino médio
Com dois anos de implementação, o Pé-de-Meia já foi responsável por uma redução de 43% no abandono escolar do ensino médio público em todo o Brasil.
Além disso, foram registrados avanços qualitativos: a distorção idade-série caiu 27,5% entre 2022 e 2025, sinalizando impacto direto nas trajetórias de jovens anteriormente ameaçados pela exclusão escolar.
Desafios e próximos passos para a implementação
Apesar da declaração de Lula e do entusiasmo gerado, a implementação do Pé-de-Meia para universitários ainda carece de definição concreta. Serão necessários estudos de viabilidade, definição de valores, critérios, público-alvo e integração com outras políticas de financiamento estudantil, como FIES e Prouni.
O novo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que assumiu após a saída de Camilo Santana, pode liderar esse debate, agora fortalecido pela defesa do próprio presidente da República.
Os próximos meses devem ser decisivos para amadurecer o formato e transformar a ideia em política pública, inclusive com necessidade de aprovação legislativa e previsão no orçamento federal.
Conheça mais sobre o Pé-de-Meia do ensino médio na página inicial do portal Notícias Concursos e também no vídeo abaixo:



