Negociação não encerra a guerra, diz Irã

Conselho Supremo de Segurança, que atua sob a autoridade do líder supremo, fala em “derrota histórica” dos EUA

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que atua sob a autoridade do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta 4ª feira (8.abr.2026) que o cessar-fogo no conflito com os Estados Unidos e Israel não significa o fim da guerra.

Em comunicado divulgado depois da confirmação de uma trégua de 14 dias, o órgão disse que “o inimigo” sofreu uma “derrota inegável, histórica e esmagadora em sua guerra covarde, ilegal e criminosa contra a nação iraniana”.

Segundo o texto, o Irã alcançou seus objetivos militares e políticos depois de 40 dias de confrontos e pressionou os EUA a aceitarem, em princípio, um plano com 10 pontos. Entre eles estão garantias de não agressão, manutenção do controle iraniano sobre o estreito de Ormuz, suspensão de sanções e retirada de forças norte-americanas da região.

Apesar do anúncio de negociações, o conselho declarou que o conflito segue em curso. “Isso não significa o fim da guerra”, lê-se no comunicado. O texto condiciona qualquer encerramento definitivo à formalização dos termos discutidos. Segundo o órgão, o Irã só aceitará o fim das hostilidades quando os detalhes do acordo forem concluídos e consolidados politicamente.

Na 3ª feira (7.abr), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), declarou uma trégua de duas semanas como passo para encerrar o conflito. Ao anunciar o cessar-fogo, disse que a decisão se deve ao cumprimento dos objetivos militares e ao avanço nas negociações por um acordo definitivo de paz na região.

O governo iraniano confirmou a pausa e a reabertura do estreito de Ormuz, mas apresentou a medida como resultado de pressão militar e não como concessão.

O comunicado diz que os EUA passaram a buscar diálogo depois de constatar que não conseguiriam vencer a guerra. De acordo com o texto, cerca de 10 dias após o início dos combates, Washington já teria iniciado contatos por diferentes canais em busca de cessar-fogo.

O conselho afirma que o país manterá a ofensiva caso as negociações fracassem. “Se a rendição do inimigo no campo de batalha não se transformar em conquista política decisiva, lutaremos até que todas as demandas da nação iraniana sejam alcançadas”, diz o texto. “Nossas mãos estão no gatilho”, declara.

As negociações devem ser realizadas em Islamabad, no Paquistão, com duração inicial de até 15 dias. O Irã afirma que participará das conversas “com desconfiança” e que o processo será tratado como extensão do campo de batalha.

Ao mesmo tempo, o conselho pediu unidade interna durante o período. Segundo o texto, a coesão política e social foi determinante para o que classificou como vitória e deve ser mantida enquanto os termos do acordo são discutidos.


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