Não sei mais que cruz eu devo carregar

E olha que isso é terrível. Nem a minha e nem a sua cruz eu carrego, eu simplesmente não sei mais o que dizer ou compartilhar. Parece, não… é uma sensação meio perdida que vivemos, não acha?

Em algum momento, aquilo que você lê é verdade; depois, é questionável; e, mais tarde, surge outra versão ainda melhor.
E tem também aquelas que nunca te contaram e que, quando finalmente são ditas, já nasce velha, porque outras novas verdades estão vindo.

Com esse surto de “ineditismos”, como eu gosto de chamar, existem fatores que me fazem sentir dentro de um círculo girando sem parar, sem saber que rumo tomar: O que fazer? O que responder? Isso torna tudo ainda mais sem sentido.

E, quando não faz sentido, você nem tem tempo de fazer cara de horrorizado, porque já tem outra coisa acontecendo.

1. As informações são tão rápidas que eu ainda não tive tempo de opinar.

2. Quando tento aprofundar um assunto, ele já deixou de ser necessário.

3. Basta uma pandemia para que os valores mudem, e as marcas mudam junto.

4. Eu te entendo se você acabou de ler isso aqui e ficou um pouco tonto.

Mesmo que questionemos as novas gerações e o nosso passado para tentar entender quem somos, muitas vezes não sabemos nem quais problemas merecem nossa atenção, nem quais modalidades de erros precisamos escolher como fonte de aprendizado.

Parece que estamos sempre tentando nos atualizar emocionalmente, intelectualmente e moralmente, e falhando miseravelmente no processo.

Está tudo muito “ok”. Não é sim e nem não.
É ok para liberar.
Ok para dar sinal de escuta.
Ok para cortar a fala de uma pessoa chata.
Ok para dizer “tô vivo”.
Ok para não dizer nada.

E é nesse excesso de “ok” que o “chatismo” começa a reinar na nossa sociedade.

Como atrair aquilo que se perdeu? Como voltar para a própria cruz, essa cruz simbólica que te dá direção e dizer: “Não se preocupe, estou aqui para darmos um salto profundo de amadurecimento intelectual, físico e mental”? Como?

Pode ter um tom de brincadeira em tudo isso, mas a sensação que você está tendo lendo esse texto provavelmente é a mesma que eu tenho ao lembrar de certas redes sociais e de certos dias corridos em que estamos apenas no automático.

Um eterno download de expectativas, opiniões e responsabilidades que ninguém pediu.

E aí, no meio desse caos, começamos a nos perguntar: o que é ser profundo hoje? O que é ter opinião? O que é ser responsável? O que é ser humano? Até onde vai a gente e onde começa o algoritmo?

Quando você pensa que está tendo uma reflexão original, descobre que já tem alguém fazendo um vídeo sobre isso, com legenda em amarelo, trilha sonora triste e uma frase com fonte serifada para passar credibilidade.

O que dói mesmo é perceber que, em meio a tudo isso, perdemos o direito ao silêncio. O silêncio virou quase uma afronta. Se você não fala, você some. Se você some, você perde relevância.

E se perde relevância, perde tudo… Pelo menos é isso que nos ensinam.

Mas, no fundo, todo mundo só queria respirar dois minutos sem precisar justificar a própria respiração.

Eu sei, parece exagero, mas não é. A verdade é que estamos vivendo uma era acelerada demais para que o pensamento acompanhe. E, ao mesmo tempo, lenta demais para que a alma se mova. A gente quer ser sábio, mas está cansado. Quer ser produtivo, mas está distraído. Quer ser profundo, mas está atolado em notificações.

E dentro dessas ideias que escrevo aqui, fica uma pergunta que é mais um lembrete do que uma provocação e de que esse teto não tem uma frase boa e não tanto feliz:

Quando foi a última vez que você realmente pensou, em vez de apenas reagir?

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
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