Morre o ex-ministro Raul Jungmann aos 73 anos

Presidente do Ibram desde 2022, tratava de um câncer no pâncreas e estava internado em Brasília; assumiu diversos cargos públicos desde a redemocratização

Morreu neste domingo (18.jan.2026), aos 73 anos, o ex-ministro Raul Jungmann (1952-2026), que comandou os ministérios da Defesa e da Segurança Pública, no governo de Michel Temer (MDB), entre  e do Desenvolvimento Agrário, no 1º mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Era presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) desde 2022.

Jungmann estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e tratava de um câncer no pâncreas. Nascido em Recife (PE), deixa sua mulher e 2 filhos. 

Foi filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) durante a redemocratização. Assumiu diversos cargos públicos desde então. No governo de Miguel Arraes em Pernambuco, comandou a secretaria do Planejamento. Recebeu o convite de FHC para assumir o cargo de presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Depois foi para o ministério extraordinário de Política Fundiária e, posteriormente, para o Desenvolvimento Agrário, onde ficou de 1999 a 2002. 

Foi deputado federal por 3 mandatos (2002, 2006 e 2014) quando foi presidente de algumas comissões da Câmara, como Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Foi convidado pelo ex-presidente Michel Temer a comandar o Ministério da Defesa, de 2016 a 2018. Sua atuação prévia na Câmara o gabaritou a assumir o ministério da Segurança Pública, desmembrado por Temer do Ministério da Justiça. Ficou à frente da pasta de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019. Como ministro, ajudou na articulação do Susp (Sistema Único de Segurança Pública), projeto defendido pelo atual governo.

Jungmann foi diagnosticado com câncer no 2º semestre de 2024. Estava em casa, recebendo tratamento paliativo. No fim de semana, voltou ao hospital. Ainda não há informações sobre o velório.

O Ibram publicou uma nota neste domingo (18.jan) em que comunica a morte de seu presidente “com imenso pesar”. E diz que: “Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”.

Leia a íntegra da nota:

“Com imenso pesar, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.

Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo.

Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande relevância nacional, entre elas a presidência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), três mandatos como deputado federal e quatro ministérios -Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do Ibram, liderando uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração mais responsável e alinhada aos desafios do século 21.

Sob sua liderança, o Ibram fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global.

Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira.

Para Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do Ibram, Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse público. Segundo ela, à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o Ibram e beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade.

Seu legado constitui um marco na história do Brasil, do Ibram e da indústria da mineração.

Neste momento de profunda tristeza, o Ibram manifesta solidariedade à família, amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto.”


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