Mídia estatal do Irã confirma morte de Ali Khamenei

Anúncio foi feito depois de negativas do governo iraniano; horas antes, Trump anunciou morte do aiatolá

A mídia estatal do Irã confirmou a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A informação foi publicada no fim da noite deste sábado (28.fev.2026) e manhã de domingo (1º.mar.2026) no horário local.

O anúncio foi feito algumas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (partido Republicano) afirmar que o líder iraniano tinha sido morto pelos ataques combinados dos EUA e de Israel. O Irã, até então, negava a informação. 

De acordo com a mídia iraniana, morreram também nos ataques uma das duas filhas, 1 neto, 1 genro e uma nora do aiatolá. A família morreu nas primeiras horas de sábado. O grupo estava no palácio que servia de sede do governo iraniano, em Teerã. Khamenei estava em seu escritório. O gabinete de governo iraniano decretou 40 dias de luto.

Depois da confirmação da morte do líder supremo, milhares de iranianos saíram às ruas para comemorar o resultado dos ataques.

Khamenei tinha 86 anos e ocupava o posto mais alto da hierarquia política e religiosa do país desde a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini. Estava no posto há 35 anos. Era o mais longevo chefe de Estado do Oriente Médio.

Segundo a Constituição iraniana, o vice-presidente Mohammad Mokhber deve assumir funções administrativas imediatas, enquanto um conselho especial terá 50 dias para organizar eleições e definir o novo rumo do Conselho de Especialistas, que escolhe o sucessor religioso. Mas especula-se que oposicionistas possam assumir o comando do país persa.

No anúncio feito por Trump, o norte-americano afirmou que Khamenei foi “uma das pessoas mais malignas da História”. Disse também que os ataques ao Irã continuarão “pelo tempo que for necessário” até o país atingir seu “objetivo” de “paz no Oriente Médio” e “no mundo”. A declaração foi dada na plataforma Truth Social em postagem feita neste sábado (28.fev).

A ofensiva foi realizada depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas em âmbito diplomático com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.

Ali Khamenei

O líder, de 86 anos, ocupava desde 1989 o posto de líder supremo do Irã. Ele foi chefe de Estado, comandante-em-chefe das Forças Armadas e tinha a palavra final sobre decisões estratégicas do país. O líder supremo é a autoridade máxima do sistema político iraniano. Concentra autoridade religiosa e política.

Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, Khamenei participou ativamente da Revolução Islâmica de 1979. Tornou-se aliado próximo do aiatolá Ruhollah Khomeini. Depois da morte de Khomeini, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos para assumir o posto máximo da República Islâmica. Inicialmente não possuía o grau religioso exigido pela Constituição, que foi posteriormente alterada.

Ao longo de mais de 3 décadas no poder, consolidou controle sobre as instituições iranianas. Fortaleceu a Guarda Revolucionária e adotou uma política externa marcada pelo apoio a grupos armados. Seu governo enfrentou sucessivas ondas de protestos internos, reprimidas com rigor. Manteve postura hostil em relação a Israel e aos Estados Unidos.

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