Manifesto das princesonas

Sempre gostei das histórias de reis, mas nunca das histórias de rainhas. E isso talvez seja um grande problema, porque ao observar essas narrativas, sempre percebi o quanto as princesas, para se tornarem rainhas, precisavam primeiro ser frustradas. 

Frustradas pelo amor, pela espera, pela inveja de uma madrasta, pela rejeição de quem não aceitava beleza, inteligência, sagacidade ou qualquer forma de autonomia feminina… Era como se o sofrimento fosse uma etapa obrigatória do processo.

Quando penso nesse tipo de história, percebo que elas quase nunca escapam da dor. Sempre há um príncipe de poucas palavras e sem graça, uma rival feminina que pune, ou um reino inteiro que transforma as qualidades da princesa em uma ameaça e a deixa em uma masmorra por precaução. 

E, dentro desse enredo que proponho questionar, começo a entender que o século em que estamos vivendo já não aceita mais esse tipo de comportamento como natural ou desejável.

Por que não aprendemos a ser princesas saudáveis? Princesas que nascem maravilhosas, que possuem capacidade intelectual, que podem ser amadas sem precisarem ser diminuídas, testadas ou quebradas. Princesas que escolhem o príncipe, se assim desejarem, para fazer parte da vida e não para salvá-la.

Essa ideia parece complexa, quase desconfortável… E é exatamente aí que entra a questão central deste texto: Não se trata de não querer casar por falta de opção ou de possibilidade, trata-se de não aceitar mais a lógica de que estamos à espera de alguém que venha mudar nossas vidas, tirar nossas ansiedades, pagar todas as contas, cuidar dos filhos e resolver tudo aquilo que, por muito tempo, fomos ensinadas a não resolver sozinhas.

Essa expectativa não nos fortalece, mulherada!

Da mesma forma, acredito que muitos homens ainda buscam a necessidade de que as mulheres queiram se sentir protegidas. Mas protegidas de quê? De como? De qual realidade, se hoje essas mulheres trabalham, criam, lideram, decidem e sustentam seus próprios mundos?

Esse pensamento, inclusive, nos consome também em formato de business. Um mercado inteiro se alimenta da insegurança feminina, da promessa de completude, da romantização da dependência… 

Enquanto isso, vemos mulheres que se tornam rainhas em seus negócios, poderosas em seus engajamentos, reconhecidas por sua criatividade, sagacidade e força, características que, em algum momento, em algum desenho animado ou conto infantil, foram apresentadas como defeito ou fraqueza.

A sensibilidade, que antes era sinônimo de fragilidade, hoje se transforma em um calo enorme. Um calo feito de experiência, de dor, de traumas, de tentativas e erros, mas que constrói um ser humano único e cheio de história.

E então surge a pergunta que insiste em permanecer: se o príncipe ainda se mantém na ideia de protetor, o que ele significa hoje para essas mulheres que deram a volta por cima? 

Para mulheres que não querem ser salvas, mas respeitadas, que não precisam de solução, mas de escolha e que não rejeitam o amor, mas se recusam a adoecer para merecê-lo, digo a vocês: Já conquistamos o nosso espaço, agora é aceitar recebê-lo!

Talvez o problema nunca tenha sido o conto de fadas… Talvez tenha sido a forma como insistimos em contar a mesma história, mesmo quando o mundo, e as mulheres, já mudaram.

 E mudamos, basta agora tomar para si, o final feliz da do conto da princesa.

Pensar com Arte é pensar diferente!

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
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