“Make Irã great again”, diz opositor que pede intervenção dos EUA

Reza Pahlavi rejeita acordo com a “facção” que está no poder; diz que os Estados Unidos terão um “grande aliado” depois da “libertação” do regime

Reza Pahlavi, filho do último xá (ou rei, como é chamado no Ocidente) do Irã, publicou em seu perfil no X o seu discurso no evento conservador nos Estados Unidos CPAC (Conservative Political Action Conference) com a frase “We will make Irã great again”, que significa “Nós vamos tornar o Irã grande novamente”. É uma adaptação do slogan político do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano).

A conferência para políticos conservadores está sendo realizada de 26 a 29 no Texas. Pahlavi discursou neste sábado (28.mar.2026). Ele afirmou que vai liderar a transição do regime iraniano para a democracia a pedido da população. Disse que tem um plano chamado IPP (Projeto de Prosperidade do Irã).

Pahlavi pediu para que os EUA “mantenham o rumo”, não salvem os líderes atuais e preparem o caminho para que os iranianos terminem o trabalho.

“O presidente Trump está tornando a América grande novamente. Pretendo tornar o Irã grande novamente. Juntos, com meus bravos compatriotas, é exatamente isso que faremos”, declarou.

A frase “Make America Great Again” foi o utilizada na campanha eleitoral de Trump em 2016 e em 2024. A frase já havia sido usada pelo republicano Ronald Reagan em 1980. Pahlavi repetiu a frase, mas trocou “America” por “Irã”. Ele defendeu que o país persa tenha estabilidade e seja “amigo” dos EUA e de Israel.

Para Pahlavi, é necessário tirar do poder a “facção” do regime, e rejeitou um acordo que os mantenha no poder. Ele afirmou que os “remanescentes” do regime sempre vão conspirar contra os EUA e outros países da região.

“República Islâmica não consegue se reformar. Não se pode reformar uma cobra. O veneno está em seu DNA”, disse.

Ele elogiou Trump por dar a chance de tirar o regime pela 1ª vez em 47 anos. Declarou que todos os presidentes dos EUA desde Jimmy Carter (1977-1981) optaram por “tentar administrar essa ameaça”. Afirmou que o único caminho para a paz e a estabilidade duradouras é com a ruptura definitiva das pessoas que estão no poder.

“Não se pode confiar em terroristas para trazer a paz. Se forem deixados no poder, trarão apenas mais instabilidade, caos e destruição, como têm feito durante 47 anos”, disse.

Pahlavi disse que convocará a população do país para pôr fim ao regime iraniano “de uma vez por todas”.

O opositor disse que milhões de iranianos pediram a ele para liderar a transição para a democracia. Afirmou que aceitou o “chamado”. Declarou que as forças armadas e estruturas iranianas o seguirão.

“Milhares de oficiais militares do regime –alguns de alta patente– sinalizaram sua disposição de se juntar a mim por meio de uma plataforma digital de deserções que minha equipe criou há alguns meses. Muitos desses oficiais se recusaram a obedecer às ordens de matar civis”, disse.

OPOSIÇÃO NO IRÃ

Pahlavi é oposição iraniana e já pediu uma intervenção militar dos Estados Unidos em seu país de origem. Disse que os heróis do país persa lutaram, sangraram e morreram pela sua própria liberdade e pela libertação do Irã “das garras de um regime maligno”.

O filho do último monarca declarou que o governo iraniano manteve a população como refém por 47 anos. Ele pediu o fim das ameaças nucleares, terrorismo, sequestros, fechamento do Estreito de Ormuz e chantagem.

Pahlavi cobrou liberdade para o seu povo, estabilidade para os países vizinhos, segurança nacional e oportunidades econômicas para os Estados Unidos “e o mundo livre”.

E disse: “Conseguem imaginar o Irã passando de ‘Morte à América’ para ‘Deus abençoe a América’? Eu consigo”.

Segundo o opositor iraniano, o povo persa arriscou sua vida para realizar vigílias à luz de velas no coração de Teerã para ajudar dos EUA depois do ataque de 11 de setembro nas torres gêmeas.

“Fizeram isso por um amigo que estava sofrendo.  Essa é a verdadeira face do Irã. Ao contrário do regime que venera a morte e a destruição, o povo iraniano celebra a vida e a liberdade”, disse.

Pahlavi defendeu um Irã que seja um pilar de estabilidade no Oriente Médio, sem ameaça aos países vizinhos e isolacionismo. Afirmou ainda que a região se transformará quando o país persa se tornar “livre”. Declarou ainda que os EUA recuperarão um grande aliado.

Para o filho do último rei, o Irã tem oportunidades econômicas com a relação com os EUA. Pahlavi disse que uma parceria estratégica poderia proporcionar “mais de US$ 1 trilhão” à economia norte-americana.

“AMIGO” DE ISRAEL

Pahlavi disse que a República Islâmica atropela o legado milenar de tolerância do Irã para com as “minorias religiosas”. Afirmou que não é o “verdadeiro Irã”.

“O Irã, os Estados Unidos, Israel e nossos vizinhos árabes estão unidos em paz e prosperidade, em vez de conflito e terror. Um Oriente Médio onde seremos capazes de administrar nossos próprios assuntos e gerir nossa própria região –onde poderemos pôr fim às guerras intermináveis ​​e permitir que nossos amigos americanos tragam de volta seus filhos e filhas em uniforme e se concentrem onde desejam: em casa”, disse.

Para o opositor do regime iraniano, o povo persa já pagou um preço “inimaginável” por sua liberdade. Ele citou que milhões de pessoas foram às ruas em protesto que, segundo ele, foi o maior da história moderna, em 31 províncias.

Pahlavi disse que o ex-líder supremo do Irã o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente do Parlamento do Irã Ali Larijani, o presidente do Parlamento do país Mohammad Bagher Ghalibaf e “o restante de sua máfia” cortaram o acesso à internet.

“Os iranianos estão isolados do mundo, praticamente sem acesso à internet. Temendo meus corajosos compatriotas, Khamenei Júnior e sua corja de criminosos arrastaram o Irã do século 21 para a Idade das Trevas”, disse.

O opositor declarou que a população tem vontade de derrubar o regime, que está atuando para que o mundo não testemunhe os protestos.

“A vida jamais voltará ao normal. Há um mar de sangue entre o povo e o regime. Depois de todos os massacres, depois de todos os sacrifícios, eles jamais concordarão em trocar um tirano por outro”, disse. Defendeu interesses dos Estados Unidos.

SEM NEGOCIAÇÃO

Pahlavi disse que Trump está certo quando diz que os EUA não querem voltar a cada 2 anos no Irã. Defendeu que, se a “facção do regime” permanecer no poder, é exatamente isso que acontecerá.

“Ela ganhará tempo. Fingirá negociar. E então, retornará aos seus antigos métodos jihadistas de ameaçar os Estados Unidos, sua segurança e seus interesses. Podem prometer um breve período de calma artificial. Mas ele será inevitavelmente seguido pelo mesmo terrorismo, pela mesma chantagem nuclear e pelos mesmos gritos de ‘Morte à América’”, escreveu.

Ele também criticou a IRGC, a Guarda Revolucionária Islâmica. Disse que não é o exército nacional do Irã, mas um corpo de agentes que servem à sua própria ideologia “venenosa de terror”, sem interesses nacionais do país persa.


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