Polícia Federal afirmou que funcionário de Vorcaro tentou se matar, mas não detalhou o que aconteceu
Dois dias depois da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro e testemunha-chave do caso do Banco Master, não está claro o que aconteceu na 4ª feira (4.mar.2026) nem qual é o estado de saúde do homem que é conhecido como o Sicário do banqueiro.
A Polícia Federal informou às 16h55 de 4ª feira (4.mar) que o Sicário “atentou contra a própria vida“. Ele havia sido preso horas antes e estava sob custódia da corporação na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte. Afirmou que ele foi levado ao hospital e que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), foi comunicado. A PF não explica o que aconteceu nem em quais circunstâncias o aliado de Vorcaro foi encontrado.
Depois de relatos de que havia sido constatada a morte cerebral de Luiz Phillipi Mourão, a PF disse que “não confirma as notícias veiculadas na imprensa que atestam a morte do custodiado. Informações sobre o estado de saúde do preso serão informadas após atualização da equipe médica”.
Em nota, a defesa do Sicário informou que seu estado de saúde é grave e negou que houve morte cerebral. “A condição clínica não é indicativa da abertura do protocolo. Essa abertura do protocolo depende da manifestação clínica, da evolução para pior, não se chegou ainda a esse momento. Espero que não se chegue, mas os médicos ainda não têm, de acordo com a literatura médica, condição de abrir esse protocolo, dar início a esse protocolo de morte encefálica”, declarou o advogado Robson Lucas da Silva.
Ele afirmou também que houve um “desencontro” de informações.
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais respondeu que não vai divulgar informações.
“A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em consonância com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), informa que, em conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade do paciente”, informou o órgão em nota enviada ao Poder360.
QUEM É O SICÁRIO
Luiz Phillipi Mourão integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação desta 4ª feira (4.mar), o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, cita duas conversas entre ele e o banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação:
- ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
- ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
- tinha relação direta com Vorcaro;
- recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” –o valor era pago por intermédio de Fabiano Zettel, também preso na operação desta 4ª feira (4.mar);
- era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
- há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
- era quem coordenava o grupo conhecido como “A Turma”, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça (PDF – 384 kB).
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.



