Equipe econômica do governo Lula vai limitar acesso às casas de apostas de quem participar do novo programa de renegociação de dívidas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, nesta 3ª feira (7.abr.2026), após uma reunião com a bancada do PT (Partido dos Trabalhadores) no Congresso, que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer limitar um “endividamento posterior” dos brasileiros que aderirem ao novo Desenrola Brasil, programa que dá desconto e renegocia pendências financeiras de inadimplentes. Uma forma é barrar o acesso às bets, as casas de apostas.
Segundo ele, as famílias poderão reduzir o endividamento com os bancos e, como “contrapartida”, haverá uma limitação para o uso das bets. Em entrevista a jornalistas, o ministro ainda informou que conversou com os congressistas sobre formas de comunicar à sociedade os “ganhos econômicos” e a “boa situação da economia hoje”.
“O que a gente tem discutido, e tenho ouvido com muito eco na bancada do PT, é ter uma contrapartida em que a gente limite o posterior endividamento das pessoas, por exemplo, com bets e com apostas digitais, para que a gente não desenrole as pessoas e, num ato seguinte, voltem a se endividar”, disse o ministro.
Ele declarou que as medidas serão definidas e anunciadas nos próximos dias, mas não definiu um prazo. Durigan afirmou que a Fazenda avalia em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego a viabilidade do uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para garantir o pagamento das parcelas renegociadas. A principal discussão é sobre o impacto da medida no fundo.
“Nós estamos avaliando isso com o Ministério do Trabalho, que tem uma preocupação com a higidez do fundo de garantia. […] Se a gente achar que for razoável uma utilização para refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido”, apontou Durigan.
DESENROLA BRASIL
O ministro ressaltou que o novo Desenrola Brasil será voltado para linhas mais caras e mais “perniciosas”. Citou o rotativo do cartão de crédito, o cheque especial e o CDC (Crédito Direto ao Consumidor), uma modalidade de crédito pessoal com baixas garantias de pagamento.
“São linhas mais caras. As próprias instituições financeiras têm dito que são linhas problemáticas e que gostariam de melhorar a situação dessas pessoas que estão endividadas e muito enroladas nesses programas e, portanto, oferecer saída para essas saídas, com desconto”, disse Durigan.
O ministro declarou que a equipe econômica apresentou ao presidente Lula o 1º desenho das políticas que serão adotadas para reduzir o endividamento das famílias.
“Vai ter mais de uma linha, seja para família, trabalhador informal, MEI e pequena empresa em que a gente consiga reperfilar, renegociar a dívida e oferecer uma condição melhor para essas pessoas [endividadas]”, disse.
A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Turismo e Serviços) disse, nesta 3ª feira (7.abr), que o endividamento das famílias atingiu o maior patamar da série histórica em março. Dados do Banco Central também demonstram nível elevado do comprometimento de renda das pessoas.
Durigan repetiu o discurso do seu antecessor, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que houve “calote” no governo Jair Bolsonaro (PL). A equipe econômica já se queixou de ampliação de gastos contratados na gestão anterior com precatórios, dívida com governadores, Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), entre outros.
“Vários gastos empurrando para frente, vários calotes dados a governadores, dos precatórios. […] Aprovamos as medidas todas, às quais eu agradeci mais uma vez a nossa bancada na Câmara, e chegamos nos desafios de agora que, em resumo, são: como traduzir os bons resultados da economia na percepção e qualidade de vida das pessoas”, afirmou Durigan.
O ministro declarou que o governo Lula tem atuado para mitigar o efeito do aumento dos preços do diesel, QAV (querosene de aviação civil) e botijão de gás.




