Entenda a escalada de tensão entre os EUA e o Irã

Autoridades aumentaram o tom das ameaças; impasse gira em torno de programa nuclear iraniano

Os Estados Unidos e o Irã vivem uma escalada de tensão nos últimos dias. O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou na 5ª feira (19.fev.2026) que em 10 dias saberá se deve “dar um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

A razão é o programa nuclear iraniano. O Ocidente teme que o Irã enriqueça urânio a níveis elevados para fins militares. Ambos os países negociam para alcançar um acordo. Na 3ª feira (17.fev), representantes norte-americanos e iranianos se reuniram, mas sem chegar a resultados concretos.

Na 4ª feira (18.fev.2026), o site de notícias Axios publicou que o governo dos EUA está se preparando para uma possível operação militar conjunta com Israel contra o Irã para os próximos dias.

Na mesma data, Teerã participou de exercícios militares com a Rússia. De acordo com informações do Ministério da Defesa russo, “as equipes navais russa e iraniana sincronizaram suas ações para garantir a segurança da navegação civil”.

A força militar dos EUA no Oriente Médio aumentou substancialmente nas últimas semanas. Sistemas de armas e munições foram transportados para a região em mais de 150 voos militares de carga. Desde 4ª feira (18.fev), 50 caças adicionais, incluindo modelos F-35, F-22 e F-16, foram deslocados para bases na região. O contingente norte-americano inclui 2 porta-aviões, 12 navios de guerra, centenas de aeronaves de combate e múltiplos sistemas de defesa aérea.

Programa nuclear iraniano

O Irã faz parte do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares). Segundo o acordo, países signatários sem armamento nuclear não podem buscar seu desenvolvimento.

A apreensão em torno do programa iraniano aumentou depois que os Estados Unidos deixaram, em 2018, durante o 1º mandato de Trump, o acordo internacional firmado em 2015 para limitar o enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções. Desde então, o Irã ampliou gradualmente suas atividades nucleares e passou a operar centrífugas mais avançadas, segundo relatórios da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).  

A agência relata que o Irã enriquece urânio a níveis de até 60% –patamar próximo do grau necessário para uso militar. Avaliações internacionais indicam que o tempo estimado para obter material suficiente para uma arma nuclear (“breakout time”) caiu de cerca de 1 ano para semanas. Eis a íntegra dos informes da AIEA (PDF – 273 kB). Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, disse ao Poder360 que “isto torna qualquer possibilidade de preparar uma ação militar muito difícil”.

O cenário amplia a preocupação de aliados dos EUA no Oriente Médio, especialmente Israel, que já disse que pode agir para impedir a capacidade nuclear militar iraniana. Autoridades israelenses afirmam de forma recorrente que não permitirão que o Irã desenvolva capacidade nuclear militar na região. 

Segundo Rudzit, o temor é porque “o Irã nunca reconheceu o direito de Israel existir, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad já defendeu que Israel deveria ser varrido do mapa”.

Escalada

A relação entre Irã e EUA piorou depois dos bombardeios do governo norte-americano contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025, durante o conflito de 12 dias entre Irã e Israel. Na ocasião, forças norte-americanas atingiram ao menos 2 locais ligados ao programa nuclear do país persa.

Desde então, as tensões têm sido ampliadas com trocas de ameaças entre autoridades de ambos os países. Trump disse que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, “deveria estar muito preocupado” diante da possibilidade de ações militares dos EUA. 

O aiatolá, por sua vez, afirmou que Trump não conseguirá derrubar o regime iraniano e fez ameaças contra embarcações militares norte-americanas.


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