Chegou, enfim, o último dia de aula. A tão sonhada aprovação direta é celebrada, mas o término do ensino médio traz consigo um misto de alívio e incerteza. “Acabou!” e “O que farei agora?” ecoam na mente dos recém-formados. Os professores, com a sabedoria da experiência, oferecem conforto, sugerindo explorar carreiras, investir em cursinhos pré-vestibulares, focar em concursos públicos de nível médio, tirar um ano sabático para viajar, ou simplesmente aceitar o primeiro emprego que não exija experiência.
Curiosamente, ao sair da escola, o histórico de notas, se foi exemplar ou apenas “turista”, perde a relevância. A verdade é que, no Brasil, o sobrenome, a origem social e a cor da pele frequentemente pesam mais do que o desempenho acadêmico. A maior conquista, para a maioria dos estudantes, é a sensação de ter sobrevivido a um sistema de ensino muitas vezes rígido, focado na memorização para testes de múltipla escolha e na cópia do conteúdo do quadro.
Minha experiência na escola pública foi marcada por uma relação mais próxima com a merendeira do que com o professor de Educação Física, que só focava em futebol, esporte que eu evitava devido à sua alta propensão a brigas. Foi com orgulho que o questionei sobre outras modalidades, incentivando timidamente a criação de grupos de vôlei e handebol. Nos momentos de ausência do professor de Ensino Religioso, tínhamos aula dobrada de Educação Física, o que resultava em mais suor na quadra. Lembro-me de como, na minha época, jogar queimada era, infelizmente, visto como um tabu.
Meu amor pela leitura, que se intensificou no Ensino Médio, começou de forma inusitada: para me aproximar de uma garota que passava os intervalos lendo. O flerte não deu certo, mas o livro me fisgou, transformando-me em um leitor voraz. Confesso que aprendi mais com as páginas desses livros do que com o conteúdo de algumas aulas.
A última semana de aula é caótica. Os cadernos ficam em casa, o conteúdo didático se esgota, e a merenda se resume a suco com biscoito ou frutas que precisam ser consumidas logo. A rotina é substituída por pedidos para assistir a filmes, lanches coletivos com pipoca e refrigerante. Os mais ativos dominam a quadra, os tímidos se isolam e os desocupados ajudam a equipe pedagógica a decorar a escola para a formatura e o Natal. Há, claro, o grupo da paquera testando a resistência do muro com beijos e abraços furtivos. Um bom termômetro para saber se a turma foi bem-sucedida é saber que ninguém engravidou, largou os estudos para trabalhar ou se envolveu com o tráfico, e se os professores tecem elogios sinceros ao grupo.
No último dia, a escola se enche de camisetas e diários para autógrafos, fotos e vídeos são feitos incessantemente, além da promessa de um futuro reencontro que é anotada nas agendas. Sejamos honestos: para alguns, o alívio maior é saber que não terão mais que conviver obrigatoriamente com certas pessoas.
Da escola, levamos as lições e inúmeras histórias. Os anos escolares são inesquecíveis, mas a impossibilidade de voltar no tempo é uma realidade. Espero que a sua trajetória escolar tenha sido tão positiva quanto a minha.
Bem-vindo à vida adulta.
Thiago Maroca é escritor, cineasta, escoteiro e pai do Théo. Tem otimas lembrancas da epoca escola, sempre que pode, coloca em seus textos um pouco do saudosismo que foi fase escolar.
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