Designer da Nike associa tom de críticas ao fato de ser mulher

Rachel Denti disse que as queixas não têm ponto de vista semântico ou conceitual, e que sua vida não mudou após as reações

A designer da Nike Rachel Denti se pronunciou no LinkedIn depois de reações negativas sobre a nova camisa da seleção brasileira de futebol para a Copa do Mundo de 2026. Ela associou o tom das críticas ao fato de ela ser uma mulher.

Rachel respondeu a um comentário que elogiou seu trabalho e sua coragem de se expor ao público majoritariamente masculino. “Se não fosse a franja de ‘pai ausente’, ia ser outra coisa sobre ser mulher, padrão ou não, de esquerda ou de direita, feia ou bonita. Uma vez que eu entendi isso, nenhum comentário me afetou mais e inclusive comecei a achar graça dos memes e outros absurdos”, declarou a designer.

A campanha de lançamento da camisa da seleção brasileira resultou em memes e críticas nas redes sociais. Depois da reação sobre o uso da expressão “Vai Brasa”, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) afirmou na 5ª feira (26.mar.2026) que o uniforme principal terá só a palavra “Brasil” nos meiões.

Rachel respondeu a outros comentários no LinkedIn. Um deles dizia que o slogan “Vai, Brasa!” é ruim. O designer Leandro Wollick, estilista da Fakini, declarou que isso seria “um fato e não opinião”. Defendeu que seria falta de bom senso tentar usar o “artifício de ser mulher” para tentar minimizar as críticas. Para ele, se fosse um homem, as críticas seriam “muito piores”.

Em resposta, Rachel disse que trabalha há 5 anos na Nike e está familiarizada com opiniões “calorosas” sobre os produtos que colaborou. A designer disse que pessoas inferiram que ela não entendia de futebol, mas que a forma que ela se veste é uma opção que não a impede de acompanhar o esporte.

“Opinião e crítica é tudo a gosto do freguês”, disse Rachel em uma das respostas. Em outro comentário, ela respondeu a uma publicação do diretor de arte Pedro Villas Bôas, da Ezcuzê. Ele disse que falar “amarelo Canary” para apresentar a camiseta da seleção brasileira na campanha foi “meio inconsequente”, mas que, de resto, os críticos estavam procurando “pelo em casca de ovo”.

Rachel respondeu que a Nike tem um catálogo próprio de cores, e o nome Canary é a cor de referência para a camisa da seleção brasileira. “Falei como uma curiosidade do porque escolhemos esse amarelo, entre os outros tons disponíveis”, explicou.

A diretora criativa Carol Saravalli, da Coletivo Navegante, escreveu um texto de apoio a Rachel. Disse que ela seria criticada por tem mini franja e ter “cara de feminista”. E disse: “Você já sabia da bomba e assumiu corajosamente”.

Para a diretora, a camisa da seleção estava belíssima. “Está cheia de referências, de brasilidade e, na minha opinião, as texturas estão impecáveis. Você brilhou muito!”, publicou Carol.

Rachel agradeceu e disse que sabia que lidaria com queixas de parte dos brasileiros. “Confesso que a natureza das críticas me surpreendeu. O que eu entendi foi que o problema não foi o “Canary” […], nem o “Brasa”, nem nada do ponto de vista semântico ou conceitual. O problema foi o que você apontou mesmo”, declarou.

“Uma vez que eu entendi isso, nenhum comentário me afetou mais e inclusive comecei a achar graça dos memes e outros absurdos. E na prática, nada na minha vida mudou. Estou acordando, dormindo, vivendo, trabalhando igual… Independente de quantos comentários malucos eu estou recebendo nas redes sociais. Vida que segue”, declarou.

Rachel formou-se em design gráfico na UnB (Universidade de Brasília). Estudou artes Royal Academy of Arts da Holanda, ou KABK (Koninklijke Academie van Beeldende Kunsten, em holandês). Está na Nike há mais de 5 anos atuando como designer. Antes, trabalhou como estagiária no Senado Federal e no Sebrae, na Boibumbá e na Sagmeister &Walsh.

Em seu site, a designer diz que é diretora de arte, designer gráfica e ilustradora. Mora em Portland, nos Estados Unidos. “Atualmente, sou Líder de Design de Vestuário para a equipe Express Lane da APLA (Ásia-Pacífico e América Latina), trabalhando em coleções hiperlocais e focadas em tendências”, explicou.


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