Advogados afirmam que o objetivo “não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações”
A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse nesta 6ª feira (6.mar.2026) que acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar a origem de “sucessivos vazamentos de informações sigilosas” provenientes dos celulares apreendidos no curso da investigação. Segundo os advogados, o conteúdo divulgado ainda não foi acessado pela própria defesa.
“Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação”, diz a defesa em nota.
Mensagens trocadas por Vorcaro e obtidas pelo Poder360, por exemplo, mostram encontro do banqueiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e sua relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Já outras mensagens indicam proximidade do empresário com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Também há relatos sobre reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2024.
Segundo os advogados, o pedido ao Supremo não tem como objetivo investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido as informações, mas identificar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
“Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas”, conclui a defesa.
Leia a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.
“O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
“Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.
“Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
“A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
“Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.”
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