O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou na 2ª feira (2.fev.2026) que o México interromperá o envio de petróleo a Cuba, ao intensificar a pressão de Washington sobre o governo da ilha. A declaração foi feita a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, sem detalhar os motivos que o levaram a essa avaliação.
Segundo Trump, Cuba vive uma situação de colapso financeiro. “É um país falido agora, e não recebe dinheiro da Venezuela nem de lugar nenhum. É um país falido. O México vai deixar de enviar petróleo a eles”, disse. Na mesma fala, o presidente voltou a mencionar a migração cubana para os Estados Unidos, lembrando travessias marítimas feitas em balsas e afirmando que muitos desejariam ao menos visitar familiares na ilha. “Acho que estamos bem próximos [de um entendimento], mas estamos lidando com os líderes cubanos neste momento”, afirmou.
.@POTUS on Cuba: “They’re not getting any money from Venezuela and they’re not getting any money from anywhere. It’s a failed nation. Mexico is going to cease sending them oil… We are dealing with the Cuban leaders right now.” pic.twitter.com/Is32s6gmxS
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) February 2, 2026
O México é hoje o maior fornecedor individual de petróleo a Cuba, que enfrenta escassez crônica de energia e apagões frequentes. A economia cubana depende da importação de combustíveis refinados para geração de eletricidade, além de gasolina e querosene de aviação. Sanções dos Estados Unidos e uma crise econômica prolongada dificultam há anos a compra de volumes suficientes no mercado internacional, o que levou Havana a depender de poucos aliados.
O governo mexicano avalia se mantém os embarques, diante do risco de retaliações dos Estados Unidos. A administração da presidente Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda) declarou no domingo (1º.fev) que buscaria enviar petróleo a Cuba por razões humanitárias, “sem buscar confronto”. Disse também que a ajuda prevista para a semana seguinte incluiria “outros” produtos.
A tensão entre Washington e Havana aumentou no mês passado após a captura, pelos Estados Unidos, do líder venezuelano Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), aliado histórico de Cuba. Trump classificou a ilha como “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional norte-americana e autorizou a imposição de tarifas sobre exportações destinadas aos Estados Unidos de países que forneçam petróleo ao governo cubano.
Autoridades de Cuba e dos Estados Unidos mantêm contatos, segundo um diplomata cubano ouvido pela Reuters, embora as conversas ainda não tenham evoluído para um “diálogo” formal. Trump também disse que há tratativas em curso entre os 2 lados. Analistas regionais e o próprio México avaliam que a perda do petróleo mexicano pode empurrar Cuba para uma crise humanitária, já que outros países tendem a não compensar um eventual corte diante das ameaças de Washington.
Trump questionou de forma reservada Sheinbaum sobre os embarques de petróleo e combustíveis para a ilha. A presidente respondeu que se tratava de ajuda humanitária. Pessoas familiarizadas com a conversa disseram que Trump não pediu diretamente a suspensão das entregas, embora tenha reiterado a política de pressionar países que abastecem Cuba.




