Comunidades de Aprendizagem – Uma Abordagem Inovadora para a Educação

_Mãe, hoje eu tô animado, mais tarde irei ajudar a empacotar umas almofadas de coração!

_Que história e desde quando você costura, filho?

_Eu não disse que iria costurar, eu estou indo empacotar, dar laços. Você não lembra que nas horas vagas eu tenho ajudado a manter o perfil do instagram atualizado do grupo das almofadas?

As Comunidades de Aprendizagem são um modelo de educação que visa promover a aprendizagem colaborativa e a participação ativa dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem. O conceito de Comunidades de Aprendizagem é bem abrangente e seus benefícios como prática educacional são inúmeros.

As Comunidades de Aprendizagem são grupos de pessoas que se reúnem para aprender e compartilhar conhecimentos, habilidades e experiências. Elas são baseadas na ideia de que a aprendizagem é um processo social e colaborativo, e que os estudantes aprendem melhor quando trabalham juntos e se apoiam mutuamente.

As Comunidades de Aprendizagem oferecem vários benefícios para todos os que dela participam.

Acontece uma significativa melhora na aprendizagem e no desempenho acadêmico dos estudantes. Há um aumento da motivação e do engajamento de todos. É possível desenvolver uma série de habilidades sociais e de comunicação. E por fim, há um fortalecimento da comunidade escolar e da relação entre professores e estudantes.

São vários os exemplos de projetos onde há um imenso esforço de todos para que haja sucesso.

As festas juninas são um bom exemplo, onde um ensaia, outro ajuda no figurino, há aqueles que escolhem e organizam a playlist e não podemos deixar de mencionar a turma da decoração, é claro. Em períodos de festas temáticas há um ensaio das comunidades de aprendizagem propriamente ditas.

Os grêmios estudantis também podem ser considerados um exemplo de comunidade de aprendizagem, pois funciona como um espaço que proporciona a aquisição contínua e colaborativa de conhecimentos, habilidades e valores, que vão além do currículo formal. A aprendizagem acontece na prática e e sob demanda. Os estudantes aprendem na prática sobre democracia, cidadania, ética, responsabilidade social, liderança, negociação e trabalho em equipe. Eles vivenciam o processo de eleger e ser eleito, defendem suas próprias ideias e de seus pares de modo a buscar melhorias coletivas, o que é uma forma de aprendizado ativo e profundo.

A proposta de uma comunidade de aprendizagem envolve a formação contínua e coletiva de todos, onde os membros trocam experiências e repensam as suas práticas. A exemplo do grêmio, os estudantes se reúnem para discutir demandas, organizar eventos (culturais, esportivos, sociais) e buscar soluções para problemas, aprendendo uns com os outros e com a interação com a gestão escolar e a comunidade que estão inseridos.

Para implementar Comunidades de Aprendizagem, é importante que os objetivos sejam claros e alcançáveis. É preciso estabelecer um ambiente de aprendizagem colaborativo e inclusivo onde todos possam participar com as suas expertises. Os responsáveis precisam fornecer recursos e apoio adequados para o bom desempenho dos propósitos do grupo e encorajar a participação ativa dos estudantes. Além de tempos em tempos, avaliar e ajustar o processo de aprendizagem contínuo.

Em conversa com Marcos Ramacciato, coordenador Pedagógico e supervisor de voluntariado dos Escoteiros do Brasil, pude compreender um pouco mais sobre como as comunidades de aprendizagem estão se fortalecendo no terceiro setor. Como ele me disse, uma comunidade de aprendizagem é um espaço desconstruído da formalidade educativa de uma capacitação em uma proposta pedagógica regular. A participação sistemática ou eventual em uma comunidade de aprendizagem não certifica a quem a ela pertence, no entanto, a participação na mesma promove o intercâmbio de aprendizagens já consolidadas e favorece a troca de saberes com a intencionalidade da investigação no grupo frequentado.

Os exemplos de Comunidades de Aprendizagem são inúmeros como os grupos de estudo e discussão nas escolas de ensino médio e educação superior. Os Projetos de pesquisa colaborativa nas universidades. As Comunidades de prática profissional para professores. E os Programas de mentoria e tutoria.

Já fazem uns bons anos que eu participo de uma comunidade de aprendizagem. Faço parte de um grupo liderado por Carmen e Sihran que confecciona almofadas em formato de coração. Essas almofadas são confeccionadas por mulheres com diferentes habilidades. Nas reuniões as mulheres participantes do grupo costuram, enchem, cortam, desviram, chuleiam, picotam e por fim, embalam. Esse grupo de mulheres se conhece desde o ensino fundamental e estudaram, em maioria, no Colégio Santa Dorotéia na década de 80. Cada momento em que se reúnem é um encontro maravilhoso. Cada uma delas tem algo pra contar, pra dividir e aprender com as trocas. De tempos em tempos as almofadas são doadas para mulheres que passaram por uma mastectomia (cirurgia de retirada dos seios devido ao câncer de mama). Essas lindas almofadas são um importante item de apoio físico e emocional no pós-operatório das mulheres menos favorecidas e em tratamento oncológico.

A almofada do coração foi criada pela enfermeira oncológica americana Janet Kramer-Mai. Em 2001, Janet foi diagnosticada com câncer de mama e, após passar por uma mastectomia, sentiu a necessidade de algo macio para aliviar a dor e o desconforto na área cirúrgica e debaixo do braço. A partir de sua experiência pessoal e profissional, ela iniciou o “Heart Pillow Project” (Projeto Almofada do Coração) nos Estados Unidos, que se tornou um movimento global, com voluntários em diversos países, incluindo o Brasil.

As Comunidades de Aprendizagem são uma forma inovadora e eficaz para a educação formal e informal, onde poderá promover a aprendizagem colaborativa e a participação ativa dos estudantes e de todos os que dela participem. Ao implementar Comunidades de Aprendizagem, os professores e educadores poderão criar um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e motivador, que ajude os estudantes a alcançar seus objetivos e interesses reais.

Adriana Frony, professora, administradora, especialista em gestão escolar, mídias sociais, mestranda em ciências da educação, escoteira, palestrante e mentora com mais de 30 anos de experiência na educação, dedicou-se a transformar a aprendizagem em uma experiência alegre e significativa para seus alunos. Acredita que educar é um ato de coragem e amor, que deve ser vivido com liberdade e criatividade. Contato: espacodeaprendizagemintegrada@gmail.com

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