“SUJEITOs”
Mais um Sujeito Morreu.
Sujeito às coisas da Vida. Sujeito às coisas do Amor.
Sujeito às coisas da Morte. Sujeito às situações da
Rua.
Sujeito em Situação de Rua.
Namorava o Mundo. Amou demasiadamente humano. Amou errado. Sofrendo de Amores namorava-nos a todos, mas não morava. Não era Morador
de Rua. Ninguém Mora na Rua. Rua não é Moradia… Sujeito em Situação de Rua.
Não é vítima do Frio.
É(foi) vítima da (in)diferença (des)humana.
Vítima da desigualdade econômica.
Todos estamos/somos Sujeitos.
E mais um Morreu da Frieza do Sistema!
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“Papo Limpo”
Então vamos falar de higiene e saúde.
Jogue alguns químicos sintéticos na água,
chão, paredes, teto
(e de vidro também).
Água com Cloro. Que maravilha!
Vamos regar as plantas e dar água aos nossos
animais de tamanha estimação?
Quer um golinho também?
Não vai um clorinho aí não?
Agora no banheiro.
Jogue alguns químicos sintéticos em sua pele,
nos cabelos e mucosas.
Unhas e Dentes também!
Raspe os pelos.
Sovaco, canelas,
virilhas também.
Bochechas, maçãs,
papo também.
Ótimo!
Agora passe loção e outras químicas sintéticas,
e pronto.
Agora temos um Papo Limpo.
Um papo vazio de pelos,
vazio de sentido,
cheio de veneno.
Um papo sujo de tanta higiene.
Fábio Riani Costa Perinotto, ou o Binho. Poeta desde criança: tinha 10 anos na primeira poesia que se tem registro. Poemas em saraus, em alguns livros, e na internet. É Meditador. Pedagogo. Há mais de 20 anos sua carreira é de articulador, produtor e gestor cultural – trabalha com gestão de políticas públicas desde o início dos Pontos de Cultura e Sistema Nacional de Cultura. É um Tuxaua Cultura Viva. Um Ser sendo e que faz Poesia no dia-a-dia quase sem querer, mas quer. binho.rc.perinotto@gmail.com https://www.instagram.com/binho.riani.perinotto/




