China diz que escolha de novo líder do Irã é “assunto interno”

Declaração de porta-voz chinês ocorre após forças israelenses ameaçarem perseguir qualquer sucessor do aiatolá Ali Khamenei

A China declarou nesta 2ª feira (9.mar.2026) que se opõe a qualquer ataque contra o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei –morto nos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.

“A China se opõe à interferência nos assuntos internos de outros países sob qualquer pretexto, e a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, a jornalistas, segundo a AFP. Afirmou ainda que a decisão de nomear um novo líder “é uma escolha do lado iraniano baseada em sua Constituição”.

A declaração do porta-voz chinês ocorre depois de as forças armadas israelenses ameaçarem perseguir todos os sucessores do aiatolá Ali Khamenei, que governou o Irã por mais de 3 décadas.

Na última 5ª feira (5.mar), o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), também declarou que a escolha de Mojtaba Khamenei era “inaceitável”. “Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy na Venezuela”, disse Trump, referindo-se à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez (MSV, esquerda), que assumiu o poder depois da captura de Nicolás Maduro, em janeiro.

A Assembleia de Peritos do Irã, órgão formado por 88 clérigos responsáveis por escolher a autoridade máxima da República Islâmica, anunciou no domingo (8.mar) Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país. Sua ascensão sinaliza o desejo do governo iraniano de manter a continuidade no poder.

QUEM É MOJTABA KHAMENEI

Mojtaba Khamenei, 56 anos, é o 2º filho de Ali Khamenei e atua como clérigo de nível intermediário. Embora nunca tenha ocupado cargo eletivo, é considerado uma figura influente nos bastidores do regime.

Ele mantém ligações próximas com a Guarda Revolucionária Islâmica e com a milícia paramilitar Basij, forças centrais do sistema político e militar iraniano.

Segundo autoridades citadas por agências internacionais, a Guarda teria pressionado por sua escolha, argumentando que ele reúne condições para liderar o país em meio à atual crise.

ESCALADA NA TENSÃO

O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, em 24 de fevereiro, Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.


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