Capa da “The Economist” traz Xi sorrindo com “erros” de Trump

Revista avalia que guerra no Irã demonstra declínio norte-americano e que decisões do governo dos EUA fortalecem China

A revista britânica The Economist divulgou nesta 5ª feira (2.abr.2026) a edição que circulará no sábado (4.abr). A capa traz uma montagem com Xi Jinping (PCCh), presidente da China, sorrindo atrás de Donald Trump (Partido Republicano), presidente dos Estados Unidos. Veja aqui.

“Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro”, diz a manchete. A revista afirma ter consultado diplomatas, assessores, acadêmicos e autoridades chinesas, que avaliam que a guerra no Irã é um grave erro norte-americano. Segundo o material, Trump “erra”, e a China se beneficia disso.

Segundo a reportagem, a percepção na China é de que os Estados Unidos atacam o Irã por reconhecerem a diminuição do próprio poder. As fontes ouvidas interpretam a ofensiva como uma confirmação da estratégia de Xi, que prioriza segurança em detrimento do crescimento econômico.

“Muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos. Eles veem a agressão americana como uma validação do foco do presidente Xi Jinping na segurança em detrimento do crescimento econômico”, afirma a revista.

GUERRA NO IRÃ

A guerra no Irã começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações estratégicas do país, sob o argumento de conter ameaças à segurança regional e ao programa nuclear iraniano. Em resposta, o Irã fechou o estreito de Ormuz como parte de sua estratégia de retaliação.

O país avalia que interromper a circulação no estreito —por onde passa cerca de 20% do petróleo global— estrangula o mercado internacional e aumenta a pressão para que os Estados Unidos abandonem o conflito ou aceitem negociar. A medida já levou o barril do petróleo Brent a superar os US$ 100.

O governo chinês reforçou suas reservas estratégicas de petróleo bruto, com volume suficiente para abastecer o país por vários meses. A China importa cerca de metade do petróleo que consome do Oriente Médio e é uma das maiores consumidoras globais da commodity.

Xi tem trabalhado para “proteger a China do fechamento de pontos de estrangulamento”, segundo a reportagem.

O governo diversificou a matriz energética com investimentos em fontes nucleares, solares e eólicas, além de manter o uso de carvão produzido internamente. Também acelera a transição energética para reduzir a dependência de importações de petróleo, vulneráveis a crises geopolíticas.

A situação no Irã pode se tornar caótica ou o regime pode se manter no poder. Em ambos os cenários, os Estados Unidos podem passar anos envolvidos no Oriente Médio —o que contraria previsões do próprio Trump de que a guerra terminaria rapidamente. Durante a campanha, o presidente criticou repetidamente os conflitos na região.

Além disso, o conflito pressiona a inflação nos Estados Unidos e enfrenta resistência crescente da população. Trump foi eleito com discurso antiguerra e agora lida com pressão política interna, às vésperas das eleições de meio de mandato, nas quais precisa preservar sua base e conquistar mais apoio no Congresso.

“Tudo isso desviaria a atenção dos Estados Unidos da Ásia Oriental, onde, se a China conseguir o que quer, o século 21 será moldado”, escreveu a The Economist.


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