As ações da Braskem (BRKM5) tiveram a recomendação rebaixada de neutra/alto risco para venda/alto risco pelo Citi. Às 16h15 (horário de Brasília) desta quarta-feira (18), os papéis BRKM5 caíam 3,47%, a R$ 9,45.
Em relatório, os analistas apontaram que, em janeiro e início de fevereiro de 2026, os fundamentos globais do setor petroquímico permaneceram fracos, com ampla oferta nas cadeias de suprimentos mais relevantes.
No entanto, durante esse período, aparentemente os produtores conseguiram aumentar seus preços de forma mais gradual, refletindo principalmente as preocupações com o fornecimento nos EUA, relacionadas às tempestades de inverno.
Viva do lucro de grandes empresas
Além disso, o banco atualizou seu modelo para a Braskem, incorporando sua visão mais recente sobre a tese e novas estimativas macroeconômicas/de spreads petroquímicos, embora ainda prevejam um cenário de spreads mais baixos.
“Dito isso, mantivemos nosso preço-alvo de R$ 8 por ação e rebaixamos a recomendação para Venda/Alto Risco, com base na tendência positiva das ações nos últimos tempos, no cenário desafiador para o mercado petroquímico e nas incertezas sobre a estrutura de capital da empresa”, aponta.
O Citi espera que a Braskem apresente um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) fraco no 4º trimestre de 2025 e em 2026, principalmente devido aos spreads mais baixos e às incertezas sobre o cenário econômico global e o ambiente de competitividade do setor petroquímico. Entretanto, a empresa poderá manter sua trajetória de queima de caixa, aumentando os riscos para a estrutura de capital nos próximos períodos.
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Do lado positivo, observa que o potencial aumento nos benefícios do REIQ ajudará a empresa, mas pode não alterar o cenário de queima de caixa. “Esperamos um efeito positivo de US$ 200 milhões no Ebitda estimado para 2026, relacionado ao potencial aumento nos benefícios do REIQ, que já consideramos em nossas estimativas. Do lado negativo, consideramos spreads menores, o que deve levar a uma redução do Ebitda de 2026, mas o efeito positivo do REIQ compensou isso”, avalia.
Assim, o Citi mantém a visão de que a empresa ainda possui uma posição de caixa robusta, mas observa um ritmo acelerado de queima de caixa em suas operações recorrentes, indicando que a preocupação dos investidores com uma possível injeção de capital ou redução da dívida deve aumentar no curto prazo.
Dito isso, a recomendação de venda ocorre devido à recente tendência de alta das ações, aos indicadores fracos previstos, às incertezas sobre a estrutura de capital (como potencial aumento de capital, redução da dívida ou pedido de recuperação judicial), e à nossa incerteza quanto à melhoria dos spreads do setor petroquímico no curto e médio prazo.
Além disso, em relação à possível solução para a estrutura de capital da Braskem, não vê grande probabilidade de a Petrobras (PETR3;PETR4) injetar capital na empresa, visto que, caso a petroleira estatal aumente sua participação, a Braskem precisará consolidar os números da empresa em seu balanço patrimonial, elevando sua dívida bruta acima de US$ 75 bilhões, limite para a fórmula de manutenção de dividendos de 45% do fluxo de caixa livre.
“Enquanto isso, acreditamos que a empresa e seus acionistas estão avançando em suas avaliações para apresentar um plano de reestruturação de capital nos próximos períodos”, aponta.



