Se ela quer ir, deixe ir.
Não implore por permanência onde já não existe vontade.
O amor que precisa ser perseguido já não é amor — é desgaste.
Há um momento em que o coração precisa entender o que a razão tenta gritar há tempos: ninguém perde quem quer ficar.
E quem quer ir, já se foi por dentro muito antes de dar o primeiro passo pra fora.
Blindar o coração não é se tornar frio, é se proteger daquilo que não te quer mais quente.
É aprender que o amor saudável não se arrasta, não se humilha, não suplica pra ser lembrado.
Quem quer estar com você, está. E quem não quer, inventa desculpas.
Deixe ir.
Deixe que o destino se encarregue de mostrar que a ausência também ensina.
Às vezes, perder alguém é o único jeito de se reencontrar.
Desapegar não é desistir — é aceitar que nem tudo que começa bonito termina junto.
E, quando você solta o que já te escapa, abre espaço pro que realmente fica.
Então, se ela quiser ir, abra a porta com dignidade.
Não discuta, não suplique — apenas facilite o caminho.
Acompanhe o silêncio com calma,
e se for preciso, chame o táxi, ajude com as malas,
leve-a até o portão, mesmo com o peito em pedaços.
Porque quem ama de verdade não prende — liberta com elegância.
E nesse gesto sereno, silencioso e nobre,
você mostra que aprendeu a lição mais difícil do amor:
saber partir sem se perder.
Deixe ir.
Porque o que é verdadeiro sempre encontra um jeito de voltar.
Leandro Flores | Poeta, jornalista e advogado. Ativista cultural e fundador do Café com Poemas e do Movimento Cultivista Brasileiro. Autor de Sorriso de Pedra, dedica-se à valorização do sertão e à promoção da literatura independente.
editoranspublicacoes@gmail.com
@leandroflores.poeta




